terça-feira, 13 de junho de 2017

Os ratos de laboratório vão às compras

Trecho da coluna de Samy Dana, no Globo do dia 05/06:

Os profissionais de marketing são capazes de prever o seu trajeto dentro do supermercado — e organizam os produtos de modo estratégico com base nessa rota. Por exemplo, temos uma tendência a virar à direita quando chegamos em algum lugar. Por essa razão, as marcas costumam pagar a mais para serem posicionadas à direita nos corredores.

Os vegetais bem na entrada também não são colocados ali aleatoriamente. Na verdade, temos uma sensação de bem-estar e satisfação ao colocar produtos saudáveis no carrinho primeiro. Isso “alivia” nossa mente para incluir os produtos não tão saudáveis em seguida.

(...)

Além disso, o velho conselho de não ir às compras com fome também é crucial. Ou você acha mesmo que a padaria do supermercado posicionada bem perto da entrada e com aquele delicioso cheiro de pão quentinho é algo aleatório?

E conclui: “Ao entrarmos nesses centros de consumo, tendemos a comprar mais com nossos sentidos do que com a razão”.

E os ideólogos neoliberais ainda querem nos convencer de que o sistema social ideal é aquele em que as leis de mercado atuam sem freios. Seriam elas que nos permitiriam fazer as melhores escolhas, de modo livre e racional.

Mas a descrição acima mostra apenas uma pequena parte do enorme emaranhado de consumismo em que nos enredamos diariamente. Nele, somos orientados a agir como ratos de laboratório atraídos por iscas sensoriais. Depois do estímulo vem a recompensa, mas a saída do labirinto nunca chega.

Leia também: Para o capital, fome é um problema estético

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