terça-feira, 27 de junho de 2017

O foco de todas as corrupções

Marx e Engels não fizeram do Estado uma mera extensão da classe dominante, sua ferramenta, seu fantoche, ou mero reflexo, num sentido simplista e passivo (...). Pois a realidade pode de fato ser mais complexa, como mostrou o estudo de Marx sobre o Bonapartismo. Ao contrário, o Estado surge e expressa uma necessidade real e geral de organização da sociedade – necessidade esta que existe qualquer que seja a estrutura específica de classe. Porém, desde que exista uma classe dominante nas relações socioeconômicas, ela utilizará esta necessidade para moldar e controlar o Estado de acordo com as orientações de classe.

O trecho acima é do livro “Karl Marx’s Theory of Revolution: State and Bureaucracy”, de Hall Draper. Refere-se à obra “O 18 Brumário”, no qual Max pinta um quadro rico e detalhado das inúmeras contradições na França do século 19, incluindo as divergências no interior da classe dominante. Trata-se de um excelente guia para fazer análises políticas de situações concretas, sem simplismos.

Hoje, no Brasil, por exemplo, estão em lados opostos, a Fiesp, a favor do governo golpista, e a Globo, contra. Mas ambas são inegavelmente pilares da classe dominante. Compreender essas contradições e saber explorá-las em favor da luta dos explorados é fundamental. Mas para isso é preciso deixar de fazer da política a arte de ocupar postos em uma institucionalidade irrecuperavelmente podre.

Afinal, já em 1871, em “A guerra Civil na França”, o mesmo Marx dizia: “...o poder estatal, que parecia flutuar bem acima da sociedade, era, entretanto, o maior escândalo dessa sociedade e ao mesmo tempo o foco de todas as suas corrupções”.

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