sexta-feira, 2 de junho de 2017

Sobre o golpe, traições e pulgas

O capitalismo é o primeiro sistema social da história que tem na feroz competição entre os membros de sua classe dominante um elemento importante para sua manutenção e expansão.

Em 01/06, Pedro Otoni publicou “O golpe em seu impasse” no portal “Outras Palavras”. O artigo aponta uma consequência importante dessa sanha competitiva entre os cachorros grandes do capital: a traição.

Segundo Otoni:

As delações e acordos de leniência deram segurança jurídica para a traição, já impressa nos costumes do andar de cima. A rasteira ganhou acabamento legal. Os açougueiros, que se tornaram banqueiros, não deixarão ninguém de pé, desde que seus vistos estejam garantidos para um destino acima da Linha do Equador. O capitalista particular pode provocar o apocalipse de sua classe em troca da salvação privada de seus bens, os donos da JBS não são exceção.

Se a traição é um modus operandi dos capitalistas, que se intensifica em períodos de crise, o espaço para o imponderável se amplia, as consequências de cada ação não são conhecidas completamente por quem a executa. Este é um retrato do Brasil atual, no qual ninguém do espectro político tradicional, com algum nível de bom-senso, pode afirmar com certeza que estará livre nas próximas 24 horas.

Por mais imprevisível que seja a situação, não se trata do caos, mas, antes de tudo, da convulsão do mundo real, sempre indiferente aos nossos esforços de compreendê-lo.

O grande problema é que são os dominados as maiores vítimas dessas convulsões. E também das traições. Estas, geralmente, não partem dos cães graúdos, mas dos que dormem com eles e nos trazem suas pulgas.

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