sábado, 24 de junho de 2017

Os órfãos do terrorismo de Estado na Argentina

A escritora argentina Mariana Enriquez está lançando seu primeiro livro no Brasil. Trata-se da coletânea de contos “As coisas que perdemos no fogo”. A obra mistura terror à denúncia dos traumas causados pela repressão durante a ditadura militar argentina dos anos 1970.

Em 16/06, ela declarou ao Globo:

A história e o cotidiano da Argentina estão cheios de fantasmas, questões que aparecem em diferentes lugares e não podem ser arrancadas. São marcas profundas, de um passado que é impossível de deixar para trás. Escrevo contos de terror, mas que também são políticos.

Na Folha, em 28/05, reportagem de Janaína Figueiredo relata que filhos de ex-torturadores argentinos estão rompendo com eles, expressando publicamente “sentimentos como vergonha, ódio e rancor em relação a seus pais”. Na verdade, enquanto ainda eram bebês, seus verdadeiros pais foram mortos pela ditadura e “adotados” pelos carrascos.  

Erika é uma delas. Seu “pai adotivo” era o médico Ricardo Lederer, “que trabalhou na clínica clandestina de Campo de Maio, onde nasceram muitos filhos de presas políticas, posteriormente entregues a famílias de militares ou próximas às Forças Armadas”, diz a matéria.

Lederer morreu antes de ser julgado. Mas sua neta, filha de Erika, de apenas 9 anos, lhe perguntou se seu avô estaria preso caso não tivesse morrido. “Sim, respondi de forma imediata. Nunca a vi chorar como nesse dia. Algo tinha se quebrado em sua infância e não podia ser de outra maneira”, contou.

Quem já leu, garante que Mariana é uma ótima escritora de terror. Mas a vida real em seu país, e nos vizinhos da região, pode ser ainda mais assustadora.
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