segunda-feira, 5 de junho de 2017

Os melhores filhos do povo, adotados pelo Capital

...o fato que na Idade Média a Igreja Católica formasse sua hierarquia com os melhores cérebros do povo, sem levar em conta estamento, nascimento ou patrimônio, foi um dos principais meios de consolidação do domínio eclesiástico.

O trecho acima é do terceiro volume de “O Capital”, de Karl Marx. Foi citado pelo colunista Mario Sérgio Conti, na Folha em 03/06/2017. A citação leva a outra:

O domínio de uma classe é tanto mais sólido e perigoso quanto maior é a capacidade de essa classe dominante assimilar os homens mais importantes das classes dominadas.

Agora, é Conti que deduz das duas passagens acima o seguinte:

Passe-se esse pensamento para a América Latina do século 21. Chega-se à conclusão –contraintuitiva– que Chávez, Morales e Lula, catapultados do substrato do povo para o topo do Estado, atestam a vitalidade do capitalismo. Mostram sua capacidade em cooptar os melhores entre os dominados, para por seu intermédio manter a dominação.

Claro que muita gente da esquerda deve torcer o nariz para conclusão semelhante. Mas como o próprio colunista afirma, o Livro 3 “não trata de política”. Nele, Marx está preocupado com “a economia como um todo”.

Realmente, não é citando “O Capital” que se combate o reformismo. À liderança de homens como Chávez, Morales e Lula não se responde com discursos e teorias, mas com luta política tendo como base muita clareza quanto à capacidade que o inimigo tem de utilizar os “melhores filhos do povo”.

De resto, é preciso lembrar sempre a máxima anarquista que diz “quanto melhor se mostrar um governo, maior o perigo que ele pode representar”.

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