quinta-feira, 28 de julho de 2011

Dólares, dívidas e calote argentino

O governo resolveu taxar algumas operações feitas em dólar. O objetivo é deter a desvalorização da moeda. Mas, dificilmente, o dólar voltará a se valorizar com medidas superficiais como esta.

A causa mais importante da desvalorização da moeda americana no Brasil é outra. O dólar é trazido pra cá e trocado por real. Este, por sua vez, é usado na compra de títulos da enorme dívida pública brasileira. Papéis que pagam a maior taxa de juros do mundo.

Enquanto isso, o Banco Central continua a comprar dólares para diminuir a oferta. O prejuízo para os cofres públicos chegou a R$ 147 bilhões em 2009 e já é de cerca de R$ 50 bilhões em 2010. Questionar a divida pública, não pode. Renegociar parte dela, nem pensar. Suspender seu pagamento, jamais!

Argentina acertou ao dar calote

Dívidas também são assunto de entrevista publicada no jornal argentino Página/12, em 24/07. O entrevistado é John Bowler, do "The Economist". Segundo ele, o maior risco de calote vem da Itália. O débito italiano é o terceiro do mundo. São dois trilhões de dólares.

Bowler compara com o calote argentino, de 2002. Até hoje, o maior da história. O montante envolvido representava menos de 10% da atual dívida italiana.

O economista admite que a decisão argentina possibilitou ao país recuperar-se economicamente. É verdade que a Argentina passou a ser boicotada pela comunidade financeira internacional. Mas, isso teria preservado sua economia dos efeitos de crises financeiras posteriores.

De qualquer maneira, o analista avisa. Se a crise do euro piorar, nem este isolamento será suficiente para poupar a economia argentina.

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