sexta-feira, 1 de julho de 2011

As rachaduras da ponte chinesa

Os chineses inauguraram a mais longa ponte marítima do mundo. Com mais de 40 km, a obra faz parte das comemorações do 90º aniversário do Partido Comunista Chinês. Não há porque duvidar de sua firmeza.

Já não se pode dizer o mesmo de outra ponte. A que ligou a China agrária dos anos 1940 à fábrica do mundo do século 21. Para alguns, trata-se de uma vitória do “comunismo desenvolvimentista”. Para os capitalistas mundiais é um paraíso e uma bóia de salvação.

Paraíso porque colocou a disposição de sua exploração uma enorme massa de trabalhadores mal pagos. Bóia de salvação porque impediu que a crise iniciada em 2008 tivesse conseqüências piores para a economia mundial.

Mas, como gostam de dizer os neoliberais, “não há almoço grátis”. O acelerado processo de crescimento chinês começa a cobrar seu preço. É o que mostra reportagem de Giampaolo Visetti, para o jornal La Repubblica:
Há semanas, explodiu na China o protesto dos operários explorados com horários massacrantes e salários de fome. O punho do regime não basta. E Pequim teme uma faísca que poderia queimar o milagre econômico.
Visetti refere-se a revoltas em Guangdong. A província é responsável por 11% do PIB chinês e 1/3 das exportações. Nos últimos 5 anos, cresceu 12,4%, em média. Índice que deve cair para 8%, acompanhando uma freada nacional de 7%. A maior desaceleração em 30 anos.

A pisada no freio acelera a luta de classes. Muitos outros conflitos estão surgindo. Afinal, são 280 milhões de migrantes internos e 540 milhões de operários. Multidão cansada do que Visetti chama de "escravidão de Estado".

Dizem que se todos os chineses pulassem ao mesmo tempo, causariam um terremoto. Basta que apenas os trabalhadores o façam para que muitas pontes venham abaixo.

Leia também: O negócio da China é capitalista

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