terça-feira, 17 de agosto de 2010

EUA: os sapateiros de Lynn

Outro relato de Howard Zinn sobre a luta dos trabalhadores americanos. Foi na cidade de Lynn, em Massachusetts. Local em que teve início a maior greve feita nos Estados Unidos antes da Guerra Civil. Lynn era grande produtora de calçados. Seus empresários foram pioneiros na utilização de máquinas para substituir o trabalho manual dos sapateiros.

A grande luta aconteceu em abril de 1859. A partir de Lynn, 20 mil sapateiros de 25 cidades entraram em greve. A paralisação durou quase dois meses, sob violenta repressão patronal.

Tamanho radicalismo pode ser explicado pela consciência de classe dos sapateiros de Lynn. Quase 30 anos antes do grande movimento, os trabalhadores já tinham seu jornal, era o “Coruja”. E, em 1844, quatro anos antes de Marx e Engels lançarem seu Manifesto Comunista, um editorial do “Coruja” dizia:
A divisão da sociedade entre produtores e não-produtores, e a distribuição desigual de riqueza entre ambos, nos leva imediatamente a outra distinção. Aquela entre capital e trabalho ( . . .) o trabalho agora se tornou uma mercadoria (. . .). O antagonismo de interesses se introduz na comunidade. O capital e o trabalho se colocam em lados opostos.
Um episódio que também mostra que a elaboração teórica de Marx e Engels não surgiu apenas de suas cabeças. Eles e outros pensadores e agitadores do comunismo estavam mergulhados em ambientes cheios de luta. Aprendendo com peões que tinham seus corpos escravizados pelas máquinas. Mas, suas cabeças nunca desistiram de procurar saídas para a situação de exploração e humilhação em que viviam.

Leia também: Zinn: um historiador do povo

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