quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Delação empresarial e eleição premiada

Em 08/09, Beatriz Borges publicou a reportagem “Mais de 80 empresas colaboraram com a ditadura militar no Brasil” no jornal El País. Trata de relatório da Comissão Nacional da Verdade, mostrando o envolvimento empresarial em espionagem e delação de quase 300 de seus trabalhadores durante o regime militar.

Entre os 297 nomes relacionados no levantamento estão Paulo Okamotto, Jair Meneguelli, Vicentinho e Lula. Eram as principais lideranças dos movimentos grevistas do final dos anos 1970. Todos dirigentes sindicais democraticamente eleitos colocados sob a mira dos gorilas da ditadura por seus patrões.

Não à toa, muita gente defende que se deve caracterizar o regime implantado em 64 como uma ditadura empresarial-militar.

Em 10/09, o portal IHU-On Line publicou entrevista com Gil Castello Branco, secretário-geral da ONG Contas Abertas. Ele afirma categoricamente: “As empresas não votam, mas são elas que elegem”. E explica:

... os empresários, cada vez mais, não doam, mas investem, ou seja, repassam recursos com a expectativa de ganhos futuros. Não é apenas por espírito democrático que eles fazem doações, inclusive, a candidatos adversários. Eles doam apenas com o intuito de manter uma boa relação com qualquer um dos candidatos que seja eleito.

Diante disso, poderíamos dizer que vivemos sob uma ditadura econômico-eleitoral.

Felizmente, há muitas diferenças entre um regime e outro. O que assusta são as cambalhotas da História. Muitos dos que fizeram parte da lista suja dos empresários, hoje ocupam o topo da política nacional. Seus nomes passaram a figurar entre os beneficiários das doações eleitorais feitas pelo grande capital. Passaram de uma lista à outra. De um lado da sujeira ao outro.

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