domingo, 21 de setembro de 2014

Paulo Freire, educador a serviço da libertação popular

Em 19/09, completaram-se 93 anos do nascimento de Paulo Freire. Não à toa, o grande pedagogo é mais lembrado por seu nome do que por sua obra.

O educador pernambucano defendia a pedagogia como formação de consciência política. Principalmente, entre os mais pobres. Não por acaso, dedicou-se à alfabetização de adultos, cuja ignorância da cultura letrada é aproveitada pelas elites para aumentar sua exploração e opressão.

Mas Freire deveria ser mais estudado pela forças de esquerda que se reivindicam revolucionárias. Para ele, a educação a serviço da revolução não é compatível com a relação que opõe pessoas desprovidas de saberes próprios a quem domina o conhecimento de forma absoluta. Como disse Freire: “... ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua produção ou a sua construção”.

Não basta às práticas educativas que se pretendam revolucionárias apenas afirmarem a defesa da revolução. É preciso tornar consequente, do ponto de vista pedagógico, a terceira tese marxiana sobre Feuerbach. Ela afirma a necessidade de “o educador também ser ele próprio educado”. Do contrário, acabamos por “separar a sociedade em duas partes, uma das quais fica elevada acima da sociedade”. Ou seja, relações autoritárias se estabelecem mesmo entre os que dizem combatê-las.

No mesmo sentido, é importante lembrar a afirmação gramsciana segundo a qual todos os seres humanos são intelectuais. E devem ser respeitados como tal.

Por defender tais princípios, Paulo Freire foi encarcerado pela ditadura militar. Apesar disso, recebeu de universidades como Harvard, Cambridge e Oxford 41 títulos de Doutor Honoris Causa. Certamente, nenhum deles tão honroso como o de educador dos humilhados e ofendidos.

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