terça-feira, 30 de setembro de 2014

Pra que simplificar se dá pra complicar

O historiador José Murilo de Carvalho foi o entrevistado do programa Roda Viva, em 22/09. Em meio a um bom debate, uma entrevistadora lembrou um texto dele muito interessante. Trata-se de “Como escrever a tese certa e vencer”, publicado no Globo, em 16/12/1999.

Vale a pena ler. Os 15 anos do artigo não o desatualizaram. Destaque para seguinte trecho:

Há três regras básicas que formulo com a ajuda do editor S.T. Williamson. Primeira: nunca use uma palavra curta se puder substituí-la por outra maior: não é ‘crítica’, mas ‘criticismo’. Segunda: nunca use só uma palavra se puder usar duas ou mais: ‘é provável’ deve ser substituído por ‘a evidência disponível sugere não ser improvável’. Terceira: nunca diga de maneira simples o que pode ser dito de maneira complexa. Você não passará de um mero jornalista se disser: ‘os mendigos devem ter seus direitos respeitados’. Mas se revelará um autêntico cientista social se escrever: ‘o discurso multicultural, como ser desconstrutor da exclusão, postula o resgate da cidadania dos povos da rua’.

O tom é irônico, claro. Carvalho não foi eleito para a Academia Brasileira de Letras à toa. Seu rigor científico não implica concessões à linguagem empolada de muitos charlatães universitários.

O artigo encerra-se com a seguinte recomendação:

... não deixe que seu estilo se confunda com o de jornalistas ou outros leigos. Você deve transmitir a impressão de profundidade, isto é, não pode ser entendido por qualquer leitor.

Muita gente anda levando a sério a brincadeira do historiador. E não apenas na academia. Há muito disso na imprensa. E não somente na grande imprensa. Infelizmente...

Leia o artigo na íntegra clicando aqui 

Nenhum comentário:

Postar um comentário