segunda-feira, 29 de setembro de 2014

O referendo escocês e a pátria dos socialistas


Em setembro, ocorreu o referendo sobre a independência escocesa. No dia 29 deste mesmo mês, 150 anos atrás, era criada a Associação Internacional dos Trabalhadores. Em 1864, algumas dezenas de socialistas se reuniram em Londres para afirmar que os trabalhadores só podem alcançar a vitória organizando-se mundialmente.

Estávamos distantes dos atuais níveis de globalização, mas como disse Daniel Bensaid, em seu “Marx, manual de instruções”:

Do mesmo modo que a globalização vitoriana, por ocasião das grandes exposições universais de Londres e Paris, favoreceu a internacionalização do movimento operário emergente e a criação em 1864 da Primeira Internacional, também a globalização neoliberal suscita uma globalização planetária das resistências. Assim comprova a gênese do movimento alterglobalista, da insurreição zapatista de 1o de janeiro de 1994 aos fóruns sociais mundiais de Porto Alegre, Mumbai e Nairóbi, passando pelas manifestações de Seattle contra a reunião de cúpula da Organização Mundial do Comércio em 1999 e as da primavera de 2003 contra a guerra do Iraque. Comparado ao internacionalismo do século XIX, esse novo internacionalismo enfrenta não apenas os capitalismos nacionais como as empresas multi ou transnacionais e um capitalismo financeiro extremamente globalizado.

No entanto, a luta escocesa pela independência nacional tem que ter o apoio dos socialistas. Por trás dela está o repúdio à austeridade neoliberal que os governantes britânicos defendem. A mesma que causa enormes tragédias sociais na Europa e em outros lugares do mundo.

Quando as lutas nacionais se opõem à globalização capitalista, os internacionalistas têm o dever de apoiá-las. Mas jamais devem esquecer que a pátria dos socialistas é a classe trabalhadora.

Leia também: Por um internacionalismo socialista

Nenhum comentário:

Postar um comentário