segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Falta pouco para nos unirmos aos povos europeus

Existe a corrupção pré-eleitoral: o financiamento de pessoas e partidos por fontes ilegais – em troca da promessa, explícita ou tácita, de favores futuros. Existe a corrupção pós-eleitoral: o uso do cargo para obter dinheiro pela malversação de receitas, ou por propinas em contratos. Existe a compra de vozes ou votos nos parlamentos. Existe o roubo direto do erário. Existe o enriquecimento resultante do exercício de cargo público, antes, durante ou depois.

O trecho acima não diz respeito à política institucional brasileira. É de um longo e esclarecedor artigo de Perry Anderson publicado na revista Piauí, em agosto. O título é “Berlusconização da política” e refere-se ao que vem acontecendo na Europa.

Anderson faz um panorama da lama em que chafurdam governantes de vários cantos da Europa. Não apenas na Itália, nem somente Berlusconi. Este último serve apenas como imagem que resume tudo.

Os alemães Helmut Kohl e Gerhard Schröder. Os franceses Jacques Chirac, François Hollande, Nicolas Sarkozy. O espanhol Mariano Rajoy. O grego Akis Tsochatzopoulos e o turco Tayyip Erdogan. Estes são apenas alguns dos governantes da União Europeia envolvidos em escândalos bilionários. Com exceção de Tsochatzopoulos, condenado à prisão, o restante continua ileso.

Nada mais lógico. Afinal, diz o artigo, se “hospitais, escolas e prisões podem ser privatizados e transformados em empresas lucrativas, por que não seria assim também com os cargos públicos?”

Enquanto isso, a Zona do Euro afunda cada vez mais na recessão. No Brasil, ainda não chegamos a isso. Mas já temos na política oficial uma base moral comum para pensar nos povos europeus como companheiros de infortúnio.

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