quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Marx e os trovões do capital

Altamente recomendável a leitura de “Marx, manual de instruções”, de Daniel Bensaid, publicado pela Boitempo. Uma das chaves do livro é a atualidade da obra do revolucionário alemão. Principalmente, em relação a duas obras fundamentais: o “Manifesto do Partido Comunista” e “O Capital”, ambos com a fundamental parceria de Engels.

A respeito do Manifesto, Bensaid destaca alguns conceitos que são mais válidos que nunca. É o caso do proletariado, que muita gente confunde com operariado. Uma nota de Engels mostra que isso é falso e redutor:

...por proletariado [entende-se] a classe dos assalariados modernos que, não tendo meios próprios de produção, são obrigados a vender sua força de trabalho para sobreviver.

Por essa definição, os proletários nunca foram tantos. Eles não apenas estão em enormes fábricas na China. Estão no comércio, bancos, telecomunicações, instituições públicas em todos os lugares. Grandes contingentes obrigados a vender sua força de trabalho.

Quanto a “O Capital”, Bensaid cita o filósofo Gérard Granel, que descreveu a obra como “um trovão inaudível”. Mas, como diz o autor, “inaudível talvez para aqueles que foram seus contemporâneos. O estrondo desse trovão, no entanto, não deixou de se amplificar desde então, a ponto de ser hoje ensurdecedor”.

Bensaid refere-se à crise de 2008, que continua atingindo as economias no mundo todo. Mas também ao efeito destruidor da acumulação capitalista. São desastres climáticos e ecológicos, epidemias, violência urbana, desigualdade social etc. A isso tudo somam-se as guerras, cada vez mais constantes e intensas.

O grande desafio continua sendo fazer com que o som da marcha do proletariado se sobreponha às assustadoras trovoadas do capital.

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