segunda-feira, 20 de junho de 2011

Galvão Bueno, Ronaldo e Brecht

São belas as palavras de Bertold Brecht sobre os lutadores populares:
Há homens que lutam um dia e são bons. Há homens que lutam um ano e são muito bons. Há homens que lutam muitos anos e são melhores. Mas, há os que lutam toda a vida. Estes são imprescindíveis.
Trata-se de um reconhecimento da importância dos lutadores. Desde aqueles mais moderados até os guerreiros mais dedicados. O importante é lutar. Sempre.

Mas, estes mesmos versos de Brecht foram citados por Galvão Bueno em rede nacional. Foi durante o jogo de despedida da seleção brasileira de Ronaldo Fenômeno, em 07/06.

Dói no ouvido. Mostra como nosso valioso patrimônio, tão duramente conquistado e mantido, pode tornar-se apenas uma frase de efeito num evento que não é só comercial. Também está a serviço da dominação cultural. Fala diretamente à alma do povo para defender os valores mais conservadores.

É um grande exemplo do seqüestro das paixões populares por monopólios a serviço dos poderosos. Não adianta só lamentar, espernear, denunciar. É preciso lutar para que palavras como estas voltem a ter um sabor azedo para os poderosos. Assim como criar novas canções de guerra. Lindas para nós, horríveis para eles.

Leia também:

Disputando nossos símbolos com a direita

Máscaras, carnaval, revolução

4 comentários:

  1. Adorei o seu comentário! É exatamente isso, não podemos deixar que a nossa luta, nossas frases, nosso povo, nosso grito, seja usado por eles para um simples comércio. E mesmo eles usando a nossa fala, não terá o mesmo efeito que tem quando nós, o povo, abre a boca. Porque abrimos a boca com emoção, com o coração, sem nenhum interesse, aliás, com um único interesse sim, o de buscar um mundo mais justo, igualitário e humano!

    ResponderExcluir
  2. Acordei com o espírito da Poliana encostado no lombo. Se pelo menos UM mísero sujeito ficar curioso de saber quem foi o tal de BRECHT já é um ganho, não é?
    Claro que, contra esse um há milhões que mal conseguiram entender o nome que foi pronunciado (eu fico imaginando a pronúncia de galvão em meio a narração).
    Será que a gente poderia denunciar na puliça com base no artigo 157 (sim, né, porque isso daí foi violento pacas!)

    ResponderExcluir
  3. É vdd. Tem muito mais autores que devem se revirar no túmulo ao ouvir suas frases de lutas nas bocas sujas desses fantoches do capitalismo. Subvertendo o significado para adaptar a ideia torpe de loteria para muito poucos, alimentada pela ilusão do "mundo livre".

    ResponderExcluir
  4. É isso aí, gente. Mas, o pior, Ane, é que um amigo ainda me disse que o Galvão chamou o Brecht de Alberto Britte (ou coisa parecida) e disse que ele era argentino!!
    Abraço!

    ResponderExcluir