sexta-feira, 24 de junho de 2011

O imperialismo jr. entre sonhos e pesadelos

Em 22/06, Mauricio Dias publicou na CartaCapital números sobre as exportações brasileiras. O texto destaca que:
Para a América Latina seguem os produtos brasileiros industrializados, de maior valor agregado. Esse bloco de países, nos últimos 12 meses, pagou um preço médio de US$ 1.491 a tonelada. As exportações para a China, essencialmente produtos primários, a tonelada cai a US$ 197.
Produtos de “maior valor agregado” são aqueles que dominam um mercado. Sua elevada proporção nas exportações para os países vizinhos implica o predomínio de nossa economia sobre a deles.

Por outro lado, perdemos feio nas transações comerciais com a China. Produtos primários são típicos de economias fracas. Nós os vendemos aos chineses a 200 dólares a tonelada. É o preço que pagamos por um par de tênis ou um aparelho eletrônico. Muitas vezes, de origem chinesa.

Os problemas não param por aí. Na mesma edição de CartaCapital, artigo de Luiz Gonzaga Beluzzo fala sobre "O mergulho da indústria". Diz que nos setores de média e alta intensidade tecnológica, o País acumulou 65 bilhões de déficit comercial em 2010. É um mau sinal. Sintoma de queda nas atividades com maior capacidade para gerar valor.

O Brasil é considerado uma “potência emergente”, ao lado da China e outros países. Mas os números acima mostram o tamanho da encrenca. O crescimento da economia chinesa explodiu porque o parque industrial estadunidense foi quase todo transferido para lá. Atraído pela mão-de-obra barata e abundante. Garantido pelo capitalismo estatal chinês.

Nada parecido aconteceu com a nossa economia. Ela até vai bem quando faz valer seu poder no quintal latino-americano. Comparados à China, porém, estamos longe de realizar os sonhos dos imperialistas brasileiros. Apesar disso, os capitais com sede no Brasil já são o pesadelo dos povos que são nossos vizinhos.

Leia também: Imperialismo jr. e o acordo de Itaipu

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