quarta-feira, 15 de junho de 2011

Máscaras, carnaval, revolução

Uma das cavalhadas mais famosas do País acontece na cidade de Pirenópolis, em Goiás. É o grande acontecimento da cidade. Uma espécie de carnaval local.

Este ano, a festa está em crise. A promotoria estadual impôs restrições à participação dos mascarados. Trata-se de adultos, jovens e crianças que vestem fantasias e máscaras durante os dias de festejo. Protegidos pelo anonimato, saem pelas ruas, brincando com as pessoas e pedindo dinheiro. A cavalo ou a pé, causam grande alvoroço na cidade.

A medida teria sido adotada devido a delitos envolvendo os mascarados. A maioria da população discorda. O resultado foi um boicote dos mascarados aos festejos deste ano. Grande parte dos foliões não saiu às ruas.

O pensador russo Mikhail Bakhtin foi um dos primeiros a mostrar a dimensão subversiva do carnaval. Em “A Cultura Popular na Idade Média e no Renascimento - O Contexto de François Rabelais”, ele diz:
Enquanto dura o carnaval, não se conhece outra vida senão o carnaval (...). Durante a realização da festa só se pode viver de acordo com as suas leis, isto é, as leis da liberdade.
Liberdade que as leis da circulação da mercadoria estão sufocando. Sob seu domínio, os festejos populares tornaram-se reféns dos interesses econômicos e políticos. Instituições, governos, empresários tentam castrar seu potencial de criação e subversão.

Talvez, estejam entupindo perigosamente uma importante válvula de escape. Permitindo o acúmulo de uma pressão que pode se tonar incontrolável e colocar tudo de pernas pro ar. Algo que permita ao povão abandonar a proteção das fantasias para desafiar a ordem abertamente.

Na verdade, toda verdadeira revolução social tem que ser um poderoso carnaval popular. É a hora em que se arrancam as máscaras dos poderosos para mostrar suas caras feias. Só não esperemos que eles respondam com confete e serpentina.

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