quarta-feira, 22 de junho de 2011

Governo improdutivo, a serviço do latifúndio

Vamos fazer a reforma [agrária] que o país precisa. Não é para atender luta política. É para garantir acesso à terra a quem nela precisa produzir e viver, garantir produção e produtividade aos assentados, alimentos para nutrir o país e também para conter a inflação.
Estas palavras são do ministro do Desenvolvimento Agrário, Afonso Florence (PT-BA), publicadas no jornal Valor, de 22/06.

Agora, vejamos o que diz matéria de Igor Felippe Santos para a página do MST. O título diz tudo: “Terras estão mais concentradas e improdutivas no Brasil”. Segundo o texto:
Dados do cadastro de imóveis do Incra, levantados a partir da auto-declaração dos proprietários de terras, apontam que aumentou a concentração da terra e a improdutividade entre 2003 e 2010.
Atualmente, 130 mil proprietários de terras concentram 318 milhões de hectares. Em 2003, eram 112 mil proprietários com 215 milhões de hectares. Mais de 100 milhões de hectares passaram para o controle de latifundiários, que controlam em média mais de 2.400 hectares.
Números que decepcionam e preocupam. Mas, há outros:
Em 2003, eram 58 mil proprietário que controlavam 133 milhões de hectares improdutivos. Em 2010, são 69 mil proprietários com 228 milhões de hectares abaixo da produtividade média.
Note-se que os critérios para definir a produtividade das terras são de 1975. Mais de três décadas de avanços na exploração agrícola estão sendo ignoradas.

O ministro Florence deveria ser coerente com a reforma agrária que diz defender. Se realmente quer priorizar a produção, deveria começar pelos quase 230 milhões de hectares improdutivos no país.

Mas, Florence prefere mandar recados aos Sem-Terra. Como se a luta do movimento não fosse exatamente pelo direito à produção. Se ela transforma-se em luta política, é porque governos como o que ele integra protegem os interesses dos latifundiários e do agronegócio.

O fato é que os governos petistas têm se mostrado bastante improdutivos quanto à realização de uma verdadeira reforma agrária.

Leia também: A crise do MST

Um comentário:

  1. Falou e disse. Pra quem gosta de números, não há argumentos.

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