quarta-feira, 1 de junho de 2011

A gente continuamos falando direito

Continua a feroz campanha da grande mídia contra o livro “Por uma Vida Melhor”, de Heloisa Ramos, distribuído pelo MEC para a rede pública. Os donos da verdade impressa e transmitida por ar e cabo têm horror a qualquer coisa que cheire a povo. Não toleram o “fumos e vortemo” de um Adoniran Barbosa, por exemplo.

A propósito do assunto, vem bem a calhar matéria de Pedro A. L. Costa para o Valor de 27/05. A reportagem fala sobre a “Gazeta de Notícias” (1875-1942). O jornal foi o primeiro a ser vendido pelas ruas do Rio. Tinha entre seus colaboradores, Machado de Assis e Eça de Queiroz. Mas sua grande preocupação era chegar a um público mais amplo.

Uma evidência disso é uma carta de Henrique Chaves, redator-chefe, ao repórter Mariano Pinna. Leiam o seguinte trecho:
Não deves perder de vista que a Gazeta é uma folha popular. Não deveis, pois, ter preocupações de escola na maneira de escrever. Escreve de modo que possas agradar ao maior número.
Outra contribuição foi dada ao tema por Mauricio Dias, em sua coluna da CartaCapital de 27/05. Ele cita o poema “Pronominais”, de Oswald de Andrade:
Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro
Leia também: A gente também sabemos falar

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