segunda-feira, 6 de junho de 2011

Saberes, sabores, rebeldia

Em maio aconteceu o seminário “Revoluções”, em São Paulo. Entre seus convidados, o filósofo francês Bernard Stiegler. Em uma entrevista ao jornal Valor, ele disse:
Para Karl Marx, a proletarização é a perda de um saber. O saber fazer, no início, mas isso tende a se estender para todas as formas de saber. É isso que vivemos hoje. A perda de saberes engendra a perda de sabores, esse é um jogo de palavras instrutivo. Quando não temos mais os saberes, perdemos o gosto da vida (Valor - 03/06/2011).
Em 05/06, Larry Ponemon, presidente do Ponemon Institute, deu uma entrevista à Folha de São Paulo. Segundo ele:
Não é possível precisar o número de hackers no mundo. Mas o volume cresce rápido, principalmente depois das crises econômicas, quando muitos profissionais perdem seus empregos. Muitos hackers são cientistas com Ph.D. e compreendem a infraestrutura de tecnologia.
Ainda segundo Ponemon, os criminosos virtuais faturaram US$ 150 bilhões com dados roubados de pessoas físicas e de empresas em 2010, no mundo todo.

As informações de Ponemon parecem mostrar que a falta de “gosto da vida” a que se refere Stiegler não é tão definitiva. Trabalhadores altamente qualificados não se renderam a ela. Resolveram voltar seus saberes contra o sistema que os descartou.

O problema é que cometer crimes só reforça a lógica dominante. É algo que depende de que o sistema continue a funcionar. O verdadeiro sabor da rebeldia virá da utilização dos saberes dos explorados em sua luta geral contra a dominação capitalista.

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