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8 de maio de 2023

A suja história da eugenia: Darwin

Entre os selvagens, são rapidamente eliminados os indivíduos física ou mentalmente fracos. E os sobreviventes demonstram geralmente uma saúde vigorosa. Nós, os civilizados, pelo contrário, fazemos todo o possível por travar o processo de eliminação. Construímos hospícios para os atrasados mentais, os aleijados e os doentes, promulgamos leis de auxílio aos pobres e os nossos médicos empenham-se com toda a habilidade em salvar a vida de cada um até ao último momento. (...) Assim se propagam os membros fracos das sociedades civilizadas. Ninguém que tenha participado na criação de animais domésticos pode duvidar de que isto é forçosamente muito prejudicial à raça humana.

(...)

Se os vários obstáculos mencionados (...), e talvez outros ainda desconhecidos, não impedirem os imprevidentes, os depravados e os restantes membros inferiores da sociedade de aumentar a uma taxa mais rápida do que a dos homens de melhor categoria, a nação retrocederá, como sucedeu já tão frequentemente na história do mundo. Devemos lembrar-nos de que o progresso não é uma regra invariável.

Os trechos acima são do livro “A Origem do Homem e a Seleção Sexual”, de Charles Darwin. Mostram que até um gênio pode acabar por colaborar, mesmo que inconscientemente, para o surgimento de uma das teorias fundamentais para formação da ideologia nazifascista. Trata-se da eugenia, cujo objetivo principal era promover a “melhoria genética” da humanidade. Seu criador foi Frances Galton, primo de Darwin, que organizou e levou às últimas e piores consequências alguns equívocos espalhados pelas obras de seu famoso parente.  

Na próxima pílula, mais sobre essa doutrina que emporcalhou e ainda emporcalha a história humana.

Leia também: A suja história da eugenia: Frances Galton

5 de maio de 2023

A suja história da eugenia: Frances Galton

A eugenia foi uma disciplina acadêmica que contribuiu decisivamente para a formação da ideologia e prática nazistas. Segundo essa concepção, as contradições sociais seriam patologias e a política, um ramo da medicina.

Frances Galton, considerado o fundador da eugenia, desenvolveu o racismo em dois aspectos que teriam grandes repercussões. Em primeiro lugar, ele entendia que haveria diferenças biológicas não só entre os povos, mas também no interior deles. Desse modo, as classes dominantes seriam superiores física e mentalmente em relação ao restante da sociedade.

Nesse contexto, a Comuna de Paris, por exemplo, foi considerada uma prova da degenerescência biológica do proletariado.

Em segundo lugar, Galton considerava necessário aperfeiçoar a raça por meio de matrimônios entre os membros das elites, ao mesmo tempo em que defendia medidas para condenar à extinção as famílias consideradas social, moral e biologicamente indesejáveis.

A difusão destas concepções nos meios científicos foi facilitada pela notoriedade das investigações do médico Cesare Lombroso. Pressupondo que os criminosos eram biologicamente degenerados, Lombroso propôs condenar à morte todos aqueles que sofressem desde o nascimento de características regressivas. Para ele, este era o caso de cerca de um terço da população carcerária.

É assim que a futura política hitleriana estava traçada em suas linhas fundamentais já no século 19.

As informações acima estão no livro “Labirintos do Fascismo”, de João Bernardo, e esse autor alerta que a eugenia não interessou apenas a setores marginais ou alheios ao pensamento científico. Galton era primo de ninguém mais do que Charles Darwin e, segundo Bernardo, suas ideias racistas estão presentes na obra do ilustre parente. Mas veremos isso mais adiante.

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