Entre os selvagens, são rapidamente eliminados os indivíduos física ou mentalmente fracos. E os sobreviventes demonstram geralmente uma saúde vigorosa. Nós, os civilizados, pelo contrário, fazemos todo o possível por travar o processo de eliminação. Construímos hospícios para os atrasados mentais, os aleijados e os doentes, promulgamos leis de auxílio aos pobres e os nossos médicos empenham-se com toda a habilidade em salvar a vida de cada um até ao último momento. (...) Assim se propagam os membros fracos das sociedades civilizadas. Ninguém que tenha participado na criação de animais domésticos pode duvidar de que isto é forçosamente muito prejudicial à raça humana.
(...)
Se os vários obstáculos mencionados (...), e talvez outros ainda desconhecidos, não impedirem os imprevidentes, os depravados e os restantes membros inferiores da sociedade de aumentar a uma taxa mais rápida do que a dos homens de melhor categoria, a nação retrocederá, como sucedeu já tão frequentemente na história do mundo. Devemos lembrar-nos de que o progresso não é uma regra invariável.
Os trechos acima são do livro “A Origem do Homem e a Seleção Sexual”, de Charles Darwin. Mostram que até um gênio pode acabar por colaborar, mesmo que inconscientemente, para o surgimento de uma das teorias fundamentais para formação da ideologia nazifascista. Trata-se da eugenia, cujo objetivo principal era promover a “melhoria genética” da humanidade. Seu criador foi Frances Galton, primo de Darwin, que organizou e levou às últimas e piores consequências alguns equívocos espalhados pelas obras de seu famoso parente.
Na próxima pílula, mais sobre essa doutrina que emporcalhou e ainda emporcalha a história humana.
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