O PIB brasileiro cresceu acima do esperado, “superando as expectativas do mercado”. Esta notícia mereceu grande destaque nos jornais, recentemente.
Mas, talvez, superação de “expectativas do mercado” possa ser traduzida por frustração de seus desejos. Não é que o “mercado” torça contra o governo Lula. A torcida é contra qualquer número que envolva crescimento econômico e, principalmente, diminuição do desemprego. Fatores que fortalecem os trabalhadores nas negociações salariais.
O pretexto é o combate à inflação. Alegam que economia aquecida estimula o consumo. Como a produção costuma não acompanhar esse aumento, o resultado seria aumento de preços. O jeito, então, seria elevar os juros para encarecer o crédito, provocando queda do consumo, diminuição do emprego e da massa salarial.
Tudo isso é um claro exemplo das inversões típicas da economia política do grande capital. São exatamente os juros altos que ajudam a impedir a produção de acompanhar o aumento da demanda.
Mas não há nada de novo nisso tudo. Quem determina a taxa de juros é o Comitê de Política Monetária, do Banco Central. E quem faz parte desse comitê? Meia dúzia de pessoas cujos nomes não são revelados, mas, certamente, são gente de confiança do capital financeiro.
Além disso, a principal fonte de informação utilizada pelo Banco Central é o relatório Focus. Este documento também é elaborado por instituições do setor privado que ninguém sabe quais são. Mas, provavelmente, são as mesmas a quem interessa manter um dos juros mais altos do planeta.
Enquanto isso, a cada quatro anos, elegemos o governo que vai se dobrar com menos ou mais docilidade à ditadura financista do BC.
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