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20 de dezembro de 2019

Transformar a realidade a partir dos pesadelos

Em tempos em que realidade e pesadelo se confundem, pode ser inspirador ler o ótimo livro “O oráculo da noite”, do neurocientista Sidarta Ribeiro.

A obra oferece um atualizado panorama científico sobre os sonhos. E o autor acredita que entre os potenciais desprezados dessa esfera importante de nossa vida psíquica, estaria sua capacidade antecipatória.

Não se trata de sonhos “proféticos”, claro. Seu potencial divinatório seria:

...meramente uma combinação antecipada de probabilidades que podem coincidir com o comportamento real das coisas, mas não precisam necessariamente concordar em todos os detalhes.

A partir disso, a experiência onírica permitiria:

... imaginar os futuros em potencial através de um mecanismo capaz de prospectar a experiência pregressa e formar novos conglomerados psíquicos, juntando ideias antigas de forma nova.

Nesse aspecto, o pesadelo teria uma função muito importante. Esta experiência onírica nos permitiria “enfrentar os perigos do dia seguinte, treinando roteiros de ação ou simplesmente aumentando o alerta”.

Seria uma espécie de simulador virtual que aumentaria nossa capacidade de enfrentar situações hostis. Uma vantagem evolutiva mais pronunciada nos mamíferos e aperfeiçoada em primatas como nós.

Os primeiros pesadelos de nossa espécie muito provavelmente relacionavam-se a dificuldades cotidianas tão elementares quanto as de comer e não ser comido.

A crescente complexidade da vida social acrescentou muitos outros elementos perturbadores aos sonhos contemporâneos. Mesmo que, infelizmente, ainda haja grandes parcelas da população mundial cujos pesadelos continuam a envolver coisas tão básicas como manter-se vivo.

De qualquer maneira, é animador saber que mesmo sonhos ruins podem ser bons. Que em 2020 nossos atuais pesadelos nos inspirem a conquistar uma realidade menos assustadora e paralisante.

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