“ChatGPT não é 'inteligência artificial'. É roubo”. Este é o título de um artigo de Jim McDermott, recentemente publicado. Ele é escritor e, como roteirista de cinema, está envolvido na atual greve da categoria em Los Angeles.
Uma das questões da paralisação, afirma ele, é se os estúdios e as redes devem ter permissão para usar programas como o ChatGPT para criar esboços ou roteiros completos, que os escritores simplesmente reescreveriam ou revisariam.
Para McDermott, o famoso aplicativo não passa de uma forma muito complexa do tipo de previsão de texto que você encontra usando o Gmail ou o Google docs. Assim, enquanto os documentos do Google podem sugerir o restante de uma frase quando você começa a digitar a primeira palavra, o ChatGPT tem tantos dados à sua disposição que pode sugerir um parágrafo ou uma redação inteira.
Para o articulista, ao chamar esses programas de “inteligência artificial”, “concedemos a eles uma reivindicação de autoria que é simplesmente falsa”. Cada um desses elos usados por programas como o ChatGPT, continua ele, representa um minúsculo pedaço de material criado por outra pessoa.
Por isso, o autor compara esse tipo de aplicativo a uma espécie de desmanche, no qual o material roubado de seus criadores é cortado em partes tão pequenas que ninguém pode rastreá-las e, em seguida, reaproveitado para formar novos produtos.
Assim, conclui McDermott, o ChatGPT e seus semelhantes são a forma mais elevada de separar os trabalhadores do fruto de seu trabalho. Verdade. Mas esta é uma das características fundantes do atual sistema social.
Não é inteligência. É a velha esperteza gatuna do capitalismo.
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