Doses maiores

Mostrando postagens com marcador palestina. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador palestina. Mostrar todas as postagens

22 de julho de 2024

O protocolo Aníbal e os filhos de Abraão

O Protocolo Aníbal (...) é um procedimento introduzido em 1986 pelas Forças de Defesa de Israel para evitar a captura de soldados israelenses pelas forças inimigas. De acordo com uma versão, o protocolo diz que “o sequestro de soldados deve ser interrompido por todos os meios, mesmo ao preço de atacar, ferir ou destruir as nossas próprias forças”.

O texto acima introduz o verbete da Wikipédia para um dos mais terríveis procedimentos das forças armadas israelenses. O protocolo Aníbal permaneceu em sigilo até 2003, quando o foi revelado por uma investigação do jornal israelense Haaretz.

Vários eventos envolvendo mortes e ferimentos de soldados e até civis israelenses podem ter ocorrido em diversos momentos. Uma das últimas vezes teria sido durante o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, quando reféns israelenses afirmaram ter sido atacados por helicópteros de seu próprio país.

Em 2014, o jornalista israelense Uri Arad publicou um artigo sobre o protocolo. Segundo ele:

A santidade da vida do indivíduo não é mais importante. Agora, em vez de o governo servir a seus cidadãos, são os cidadãos que são obrigados a pagar com suas vidas para servir aos interesses do governo. O nome disso simplesmente é fascismo.

Deus ordenou a Abraão que sacrificasse seu próprio filho. Talvez, o episódio tenha servido como uma inspiração deturpada e doentia para o protocolo Aníbal. No último momento, o patriarca judeu foi impedido de cometer o terrível ato. Um regime covarde e genocida que sacrifica vidas humanas para manter-se no poder também precisa ser detido. Em defesa da humanidade e de seu próprio povo.

Leia também: Amazon e Google unidas no patrocínio ao genocídio

9 de julho de 2024

Amazon e Google unidas no patrocínio ao genocídio

Em 04/07, a Amazon completou 30 anos de fundação. Terceira maior empregadora do mundo, grande parte de sua mão de obra é precarizada e sofre com terríveis condições de trabalho. Em seus galpões gigantes, o calor e o frio podem ser insuportáveis, dependendo da época do ano. As jornadas superiores a 10 horas têm intervalos que não ultrapassam os 30 minutos para refeições. O ritmo alucinante das tarefas é ditado por algoritmos, máquinas e robôs. Em muitas de suas unidades, os trabalhadores percorrem dezenas de quilômetros por dia sem parar.

Toda essa exploração explica a maior parte do sucesso da gigante que surgiu como serviço de entregas. Mas os créditos costumam ser atribuídos à suposta genialidade do criador da empresa, Jeff Bezos. 

Além das entregas, a empresa oferece serviços de armazenamento de dados, produção de filmes e séries, além de aplicativos de leitura e de assistentes virtuais. Mais recentemente, porém, surgiu um item vergonhoso no catálogo da Amazon. 

Em 26 de junho passado, seis manifestantes interromperam um evento promovido pela empresa, em Washington. Eles denunciavam um projeto chamado Nimbus, que envolve computação em nuvem e inteligência artificial para uso das Forças Armadas israelenses. "Sua tecnologia está patrocinando o genocídio", gritou um dos manifestantes, segurando a bandeira da Palestina. A iniciativa também envolve a Google e conta com apoio das forças armadas estadunidenses.

Amazon e Google são fortes concorrentes em algumas áreas de tecnologia de ponta. Mas quando se trata de auxiliar o aparelho estatal e a máquina bélica do imperialismo sempre é possível combinar esforços e lucrar juntas com repressão e genocídio.

Leia também: República Popular da Amazon

10 de junho de 2024

EUA e Israel promovem massacres, não guerras

O portal Outras Palavras publicou o artigo “O que nos separa de um novo conflito global” do sociólogo alemão Wolfgang Streeck, em 09/06/2024.

Vale a pena ler o texto na íntegra, mas há um trecho em que o autor faz uma contabilidade bastante sinistra. Streeck começa informando que na Guerra do Vietnã, os Estados Unidos perderam 58.220 soldados, incluindo os que morreram em circunstâncias não relacionadas a combates. Já as baixas vietnamitas foram estimadas entre 1.8 milhão e 3.3 milhões, contando militares e civis. O total exato não está disponível porque grande parte da carnificina ocorreu através de bombardeios. Mas a proporção de mortes ficou entre 30 e 57 mortos vietnamitas para cada soldado americano.

Na Guerra do Golfo de 1991, esta proporção passou a ser 1 morto estadunidense para 138 iraquianos. No Afeganistão, a mortalidade baixou para 1 americano x 45 afegãos. Na invasão do Iraque por George W. Bush, voltou a subir: 1 x 94 iraquianos.

Na Síria, disparou para 1 x 805. Os israelenses não se saíram tão bem nos 23 dias da operação “Chumbo Fundido”, entre 2008 e 2009, ficando com uma proporção de 1 israelense x 231 palestinos mortos.

Na atual guerra de Gaza, em 28 de março de 2024, 32.490 habitantes de Gaza e 251 soldados israelenses morreram, em uma proporção de 1 americano x 129 palestinos, a maioria destes, mulheres e crianças.

São esses números que levam Streeck a afirmar, com toda razão, que as “guerras dos Estados Unidos são massacres em vez de batalhas. E que isso “é ainda mais verdadeiro para as guerras israelenses”.

Leia também: O evangelho genocida do Estado de Israel

7 de junho de 2024

O evangelho genocida do Estado de Israel

Em dezembro passado, o jornal The Guardian noticiou o uso de inteligência artificial pelas Forças Armadas israelenses nos ataques a Gaza. Segundo a reportagem, os militares israelenses alegavam utilizar tecnologia para realizar ataques “cirúrgicos”, diminuindo o número de vítimas civis.

Na época, já haviam se passado mais de dois meses do início do conflito.  Hoje, após oito meses, os ataques à população de Gaza mostraram que nada têm de “cirúrgicos”. Até agora, mais de 14 mil crianças palestinas foram mortas. O mais recente bombardeio foi a uma escola da ONU, que deixou pelo menos 40 mortes, incluindo mulheres e crianças.

Outro conflito envolvendo bombardeios em Gaza aconteceu em 2014, informa o jornal. Nos 51 dias que duraram os ataques, as forças israelenses atingiram cerca de 6 mil alvos. Em comparação, somente durante os primeiros 35 dias da atual guerra, Israel já havia atacado 15 mil alvos.

Uma hipótese muito provável é a de que a inteligência artificial esteja apenas seguindo os parâmetros enviesados pelo racismo genocida de seus criadores.

“Agora, pois, matai todos os meninos entre as crianças, e todas as mulheres que conheceram homem, deitando-se com ele”. Estas palavras são de Moisés, após ter se enfurecido contra seu exército por ter poupado as crianças e mulheres do povo midianita.

O trecho pertence ao livro de Números, capítulo 31, versículo 17, do Antigo Testamento. Mas jamais poderia servir como justificativa para o extermínio de nenhum povo, nem resume o que significa ser judeu ou cristão. Apesar disso, o nome da plataforma de inteligência artificial utilizada pelo estado israelense é “O evangelho”.

Leia também: Gaza: os ataques de Israel a uma agência da ONU

7 de dezembro de 2023

A estupidez do sionismo de esquerda

Tony Cliff era o pseudônimo de Ygal Gluckestein (1917-2000). Nascido na Palestina, tornou-se conhecido como um militante revolucionário na Inglaterra. Apesar de judeu, era antissionista, não aceitando a concepção que atribui ao povo judeu a “missão sagrada” de tomar a Palestina de seus povos originários.

O relato abaixo é de sua autobiografia, “A World to Win”. Mostra bem o que significa ser sionista de esquerda.

Em fevereiro de 1934, em Viena, os trabalhadores fizeram um grande levante contra o fascismo. Embora os trabalhadores tenham sido derrotados, Viena tornou-se um marco que inspirou todo o movimento internacional da classe trabalhadora. No ano anterior, em 1933, o movimento dos trabalhadores alemães – o mais forte e mais bem organizado do mundo – tinha capitulado perante os nazistas sem praticamente nenhuma luta. Em todo o mundo, lembro-me, socialistas, comunistas e antifascistas repetiam o slogan “Mais Viena do que Berlim”. Naqueles dias, participei de uma reunião organizada pelo partido socialdemocrata sionista, em Haifa. O secretário do conselho sindical da cidade começou seu discurso, dizendo: “Apenas uma vez na história houve tal heroísmo: a Comuna de Paris”. Concluiu afirmando: “Precisamos da unidade dos trabalhadores”. Quando ele terminou, interrompi e acrescentei uma palavra: “internacional”. Ou seja, precisamos da “unidade internacional dos trabalhadores”. Se eu tivesse gritado “Viva a classe trabalhadora britânica” ou “Viva a classe trabalhadora chinesa”, ninguém teria se importado. Mas na Palestina, minhas palavras significaram unidade com os árabes. Três comissários se aproximaram de mim. Dois seguraram meus braços, enquanto o terceiro torceu um de meus dedos até quebrá-lo. Comuna de Paris tudo bem, mas trabalhadores árabes, de jeito nenhum.

Leia também: Malcolm X pergunta pelo messias do sionismo

4 de dezembro de 2023

Malcolm X pergunta pelo messias do sionismo

Em 1964, Malcolm X escreveu um artigo de apoio irrestrito ao povo palestino contra a invasão israelense a seu território. O texto começa pelo seguinte raciocínio:

Se os sionistas israelenses acreditam que sua atual ocupação da Palestina árabe é o cumprimento das previsões feitas por seus profetas judeus, então eles também acreditam religiosamente que Israel deve cumprir sua missão “divina” de governar todas as outras nações com um cetro de ferro, o que significa apenas uma forma diferente de
governo de ferro, ainda mais firmemente entrincheirado do que o das antigas potências coloniais europeias.

Após denunciar o sionismo como representante dos interesses imperialistas, não só no Oriente Médio, mas também na África, ele termina perguntando:

Os sionistas tinham o direito legal ou moral de invadir a Palestina árabe, arrancar os cidadãos árabes de suas casas e tomar para si todas as propriedades árabes apenas com base na alegação “religiosa” de que seus antepassados viveram lá há milhares de anos? Há apenas mil anos, os mouros viviam na Espanha. Será que isso daria aos mouros de hoje o direito legal e moral de invadir a Península Ibérica, expulsar seus cidadãos espanhóis e depois criar uma nova nação marroquina onde a Espanha costumava estar, como os sionistas europeus fizeram com nossos irmãos e irmãs árabes na Palestina?

Em resumo, o argumento sionista para justificar a atual ocupação da Palestina árabe por Israel não tem qualquer base lógica ou legal na história, nem mesmo em sua própria religião. Onde está o Messias deles?

Onde está o messias do sionismo? Há poucos dias, morreu um excelente candidato ao posto.

Leia também: Kissinger: que o inferno lhe seja pesado

9 de novembro de 2023

O sionismo a serviço do imperialismo e do colonialismo

“Kibutz” (“kibutzim”, no plural), quer dizer, em hebraico, "assembleia" ou "coletividade". Originalmente, era uma comunidade agrária israelense sem propriedade privada dos meios de produção. Segundo a Wikipédia,  baseava-se “nos princípios do sionismo trabalhista (combinação de socialismo e sionismo)”.

Os primeiros kibutzim surgiram no século 19. Mas só ganhariam um perfil socialista após a Primeira Guerra, sob influência da Revolução Russa e do forte movimento operário da época. O sionismo que inspirava muitos kibutzim, no entanto, era um projeto nacionalista. Uma característica que se chocava com as concepções de grande parte dos marxistas
internacionalistas da época.

Os criadores dos kibutzim acreditavam que seria possível ampliar o número de suas comunidades até transformar Israel em uma nação unida e igualitária, capaz de resistir aos poderes imperialistas que cercavam a chamada “Terra Prometida”.

Para os socialistas internacionalistas, o imperialismo é que acabaria utilizando os kibutzim para seus propósitos. E foi o que aconteceu. A partir dos anos 1940, muitos deles começaram a cumprir funções militares, contribuindo para a expulsão dos palestinos de suas terras a partir de 1948.

Desde então, a combinação de sionismo com socialismo mostrou-se definitivamente equivocada. O sionismo acabou por se impor como consolidação do Estado de Israel menos como nação soberana do povo judeu e muito mais como ponta-de-lança dos interesses britânicos e estadunidenses na região que tem as maiores jazidas petrolíferas do planeta.

Atualmente, o projeto sionista serve aos objetivos globais do imperialismo e à opressão colonialista do povo palestino na região. Por isso, jamais poderá ter um caráter de esquerda e deve ser combatido como parte da luta anti-imperialista e anticolonialista.

Leia também: Os acordos de Oslo e o Golias sionista

1 de novembro de 2023

Os acordos de Oslo e o Golias sionista

Edward Said foi um estudioso e militante árabe, nascido em Jerusalém. Sua obra mais conhecida é “Orientalismo”, na qual denuncia a criação ocidental de uma visão distorcida, mostrando o mundo oriental como domínio de bárbaros.

Defensor da causa palestina, Said publicou um artigo chamado “A Manhã Seguinte”, em outubro de 1993, pouco depois da assinatura dos Acordos de Oslo, em que palestinos e israelenses firmaram um acordo de paz, em Washington. Segundo Said foi um:

...espetáculo degradante ver Yasser Arafat agradecendo a todos pela suspensão da maioria dos direitos do seu povo e a solenidade tola do desempenho de Bill Clinton, como um imperador romano do século XX pastoreando dois reis vassalos pelos rituais de reconciliação e obediência. Tudo isso apenas temporariamente oculta as proporções verdadeiramente assombrosas da capitulação palestina.

Said cita o Hamas como uma das organizações palestinas que repudiou os acordos. Mas destaca sua pouca influência, naquele momento, e a existência de uma oposição palestina secularista e democrática, comprometida com uma solução verdadeiramente justa.

Pouco antes, em 1987, havia ocorrido a Intifada, quando milhares de palestinos foram às ruas protestar contra a invasão israelense. Armados apenas com pedras, mais de mil jovens e crianças foram covardemente mortos pelas tropas israelenses. Nessa luta entre Davi e Golias, Israel assumiu o papel de gigante cruel.

A rendição representada pelos acordos de Oslo foi protagonizada pela Organização de Libertação da Palestina (OLP). À sombra desta vergonha, o Hamas, grupo religioso e intolerante, ganhou força. Contou, inclusive, com a omissão israelense, que desejava seu fortalecimento para enfraquecer a OLP.

É desse modo que o Golias sionista continua massacrando.

Leia também: Einstein denuncia o terrorismo na Palestina

31 de outubro de 2023

Einstein denuncia o terrorismo na Palestina

Eles inauguraram um reino de terror na comunidade judaica da Palestina. Professores foram espancados por proferirem falas contrárias a esses grupos e adultos foram fuzilados para impedir que crianças se juntassem a eles.

O trecho acima é de uma carta assinada por Albert Einstein, Hannah Arendt e mais 26 personalidades judias. Segundo o documento publicado no New York Times em 1948, esses “bandos terroristas” atacaram uma pequena vila árabe sem envolvimento em atividades militares, matando 240 de seus habitantes, incluindo mulheres e crianças. Dentre aqueles que sobreviveram, alguns foram levados para desfilar como prisioneiros pelas ruas de Jerusalém.

A maior parte da comunidade judaica ficou horrorizada. Mas os responsáveis, longe de se envergonhar, ficaram orgulhosos do massacre, convidando os correspondentes estrangeiros presentes no país a ver “o amontoado de cadáveres e a devastação generalizada na vila”, afirma a carta.

A organização denunciada pelo texto era o Herut (Partido da Liberdade), “agremiação política fortemente aparentada, em sua organização, métodos, filosofia política e apelo social, a outras organizações políticas nazistas e fascistas”, descrevem os autores. A preocupação dos signatários do documento era que seu líder, Menachem Begin, fosse recebido com honrarias na visita que faria, em breve, aos Estados Unidos.

A carta também acusa o Herut de esmagar greves e fazer pressão para destruir sindicatos, defendendo a criação de organizações no modelo fascista italiano.

A título de esclarecimento, o Likud, partido do atual premiê israelense Benjamin Netanyahu, foi formado por grupos oriundos do Herut. Como se vê, a tolerância em relação a essas práticas terroristas e fascistas vem de longa data e continua a alimentar o genocídio sionista.

Leia também:
Gaza e os cachorros loucos de Hollywood
O povo judeu também é vítima do sionismo

14 de agosto de 2014

O povo judeu também é vítima do sionismo

O governo de Israel acusa seus críticos de antissemitismo. Não é verdade. Antissemitismo é racismo contra os judeus. Inaceitável. O que a maioria dos que condenam Israel combate é o sionismo. Uma crença que atribui ao povo judeu direito sagrado sobre a Palestina.Um direito que justificaria tudo, inclusive matar crianças e bombardear escolas e hospitais.

Um texto esclarecedor sobre essa questão está no portal Voltaire.net. Trata-se de “Quem é o inimigo?”, de Thierry Meyssan. Através dele ficamos sabendo que o sionismo surgiu com a Revolução Inglesa de 1688. Os calvinistas, que derrubaram a nobreza, acreditavam que para o bem dos cristãos ingleses, os judeus deveriam retornar à Palestina. Voltar a “Sion”, a Terra Santa.

O sionismo sairia fortalecido da Guerra da Independência e da Guerra Civil dos Estados Unidos, cujos vencedores eram seus adeptos. Ele também voltaria a ganhar força sob a regência da Rainha Vitória. Trata-se, portanto, de uma ideologia com enorme peso entre os setores dirigentes das sociedades inglesa e estadunidense.

O acordo em torno do sionismo foi elemento importante na reaproximação entre os britânicos e seus ex-colonos  da América do Norte, diz Meyssan. E no século 20, a crença no direito judeu sobre territórios do Oriente Médio serviu ao controle imperialista sobre uma das regiões mais estratégicas do planeta.

Portanto, diz o autor, o “sionismo nunca teve como objetivo ‘salvar o povo judeu, dando-lhe um lar’, mas sim fazer triunfar o imperialismo anglo-saxônico envolvendo nisso os israelitas”. Desse ponto de vista, o povo judeu também é vítima do sionismo. Mesmo que esteja longe de ser a maior delas.

Leia também: Gaza e os cachorros loucos de Hollywood

12 de agosto de 2014

Gaza e os cachorros loucos de Hollywood

Penélope Cruz e Javier Bardem estão entre os astros de cinema que assinaram carta aberta contra o genocídio israelense em Gaza. O documento afirma que “lares palestinos estão sendo destruídos, eles não têm água, luz e acesso livre aos hospitais, escolas e abrigos, enquanto a comunidade internacional não faz nada.”

É a mais pura verdade. Apesar disso, a atitude teria levado os estúdios de Hollywood a incluir os signatários em uma lista suja. São acusados de fazer o jogo dos inimigos do povo judeu. Mas os chefões do cinema estadunidense não têm a menor moral para fazer tal acusação.

É o que mostra “A Colaboração, o Pacto entre Hollywood e o Nazismo”, de Ben Urwand. Recém-lançado no Brasil, o livro investiga as negociações dos estúdios estadunidenses com o governo de Hitler na década de 1930.

A obra revela que, para não desagradar os nazistas e perder mercado na Alemanha, os executivos de Los Angeles censuravam seus próprios filmes. Fecharam os olhos para a perseguição aos judeus, apesar de muitos deles mesmos serem de origem judia.

Em 1933, por exemplo, Herman J. Mankiewicz escreveu um roteiro sobre a situação dos judeus alemães. O nome do filme seria “O Cachorro Louco da Europa”, óbvia referência a Hitler. O projeto foi engavetado pelos patrões de Mankiewicz.

Mas a indústria cinematográfica não estava sozinha. Ford, Coca-Cola e IBM estão entre as empresas que mantiveram excelentes relações com os nazistas. Só os abandonaram quando se tornou inconveniente associarem suas marcas aos massacres nos campos de concentração.

A loucura canina nunca deixou de fazer vítimas e adeptos. Na Europa e fora dela.

Leia também:

4 de agosto de 2014

Israel semeou o Hamas

Tawfik Gebreel, Bushra Shanan
e Belal Khaled
Após a 2ª Guerra, potências imperialistas impuseram a criação e o fortalecimento do Estado de Israel no Oriente Médio. Desse modo, criaram conflitos na região para melhor dominar seus territórios ricos em petróleo.

Essa mesma tática Israel também acabou usando em relação aos palestinos. É mais ou menos o que a afirmou Guila Flint, em entrevista ao programa Espaço Público, exibida na TV Brasil em 22/07. 

A jornalista brasileira mora em Israel há 20 anos. Ela afirmou ser público e notório que o Estado de Israel incentivou o surgimento e o fortalecimento do Hamas em terras palestinas nos anos 1980.

O objetivo era enfraquecer o "Movimento de Libertação Nacional da Palestina", o Fatah. Até então, essa frente de organizações liderava sozinha a resistência contra a ocupação israelense das terras palestinas.

Mais tarde, em 2005, o governo direitista de Ariel Sharon retirou as tropas israelenses da Faixa de Gaza sem avisar o Fatah. Como resultado, criou-se um “vácuo político” naquele território, que foi ocupado pelo Hamas.

Foi assim, diz Guila, que uma “organização laica e democrática” perdeu espaço para um movimento religioso e extremista. O consequente aumento das ações violentas ajudava a justificar a necessidade de eliminar o povo palestino na região.

Mas assim como os Estados Unidos criaram as tropas de Bin Laden para vê-las se voltarem contra si, o Estado de Israel pode colher uma terrível tempestade dos ventos que semeou.

Hoje, os sionistas fazem chover fogo em Gaza. Mas como aconteceu muitas vezes na História, Israel pode ganhar a guerra e perder a paz.

31 de julho de 2014

A Primeira Guerra na raiz das guerras do Oriente Médio

Deborah Berlinck  e Daniela Kresch publicaram “Um Oriente Médio mal desenhado e em mudança”, no Globo, em 29/07. A matéria afirma que a desastrosa realidade atual do Oriente Médio é resultado da Primeira Guerra Mundial.

Após o conflito, os imperialismos inglês e francês esquartejaram o Império Otomano. Em seu lugar, “criaram Estados totalmente artificiais e comandados de forma arbitrária pelo Reino Unido e pela França”, diz James Barrar, entrevistado pelas jornalistas.

Barr diz, por exemplo, que os britânicos criaram o Iraque e colocaram um rei que nem era iraquiano junto com a minoria sunita para governar o país. Jordânia e Palestina também foram criadas por razões geopolíticas alheias a seus povos. E esta última padece desde que os britânicos apoiaram a criação de Israel como seu Estado-cliente.

Barr também atribui às negociações do final da Guerra os atuais conflitos na Síria, envolvendo sunitas, xiitas, alauitas, cristãos, armênios, drusos e curdos. Segundo ele, o sectarismo na Síria foi “encorajado pela França para comandar um país que não queria ser comandado por franceses”.

Mas a matéria destaca um “fato novo”. São os chamados jihadistas, que estariam formando Estado Islâmico para dominar a região sem respeitar as fronteiras traçadas pelos vencedores da Primeira Guerra.

Não há tanta novidade nisso tudo, porém. Interesses muito materiais estão por trás do fanatismo religioso dos jihadistas. Afinal, eles estão vendendo o petróleo dos territórios que ocuparam no mercado internacional. E quem estaria intermediando os negócios seria a empresa estadunidense Exxon-Mobil.

Muito pior que os fanatismos em conflito no Oriente Médio é o fundamentalismo imperialista que os fez surgir e continua a alimentá-los.


23 de julho de 2014

Gaza: Davi e Golias, Sodoma e Gomorra

Conta a Bíblia que Golias era um filisteu de “dois metros e noventa centímetros de altura”. Com seu povo em guerra com Israel, o gigante desafiou os judeus a enviar um homem que o enfrentasse.

O adolescente e ainda mirrado Davi aceitou o desafio. Mas quando o filisteu atacou, o garoto usou uma atiradeira para atingir-lhe a testa com uma pedra. Caído e desacordado, Golias teve sua cabeça decepada pelo jovem.

Recentemente, esta fábula ganhou um sentido novo e curiosamente invertido. Em dezembro de 1987, no campo de refugiados de Jabaliyah, em Gaza, palestinos enfrentaram as forças militares israelenses com paus e pedras. O episódio ficou conhecido como Intifada.

Um dos significados dessa palavra árabe descreve um repentino despertar de um sonho ou da inconsciência. Desde então, também simboliza a resistência dos palestinos contra a invasão de suas terras por israelenses.

O Estado judeu está promovendo mais um massacre em Gaza. O gigante militar israelense não se detém diante de mulheres, crianças e homens desarmados. As pedras da Intifada nada podem contra uma chuva de mísseis.

A Bíblia diz que Deus destruiu Sodoma e Gomorra porque nas duas cidades não havia nem dez justos. Mas sugere que se houvesse ao menos um deles, todos os seus habitantes seriam poupados.

A destruição foi obra do “Senhor dos Exércitos”, a mais cruel manifestação do deus bíblico. Os que governam Israel se consideram seus seguidores. Mas são piores que ele. Nem mesmo lhes importa saber se há justos entre os moradores de Gaza.