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2 de julho de 2024

Festas juninas, festejos indígenas

O mês de junho recém partiu, levando embora os festejos de arraial. Mas como as brasas das fogueiras continuam quentes, ainda há tempo de trazer uma informação que, talvez, seja desconhecida por muita gente. As festas juninas têm a ver mais com tradições indígenas do que com costumes europeus.

É o que mostra recente reportagem do portal G1, segundo a qual:

Antes da chegada dos colonizadores, o mês de junho já era especial para indígenas que viviam pelo Nordeste. Por isso, diversos elementos do São João nordestino são associados à ancestralidade originária.

Os povos Cariri, Tarairiú e Tupi, por exemplo, agradeciam os frutos da colheita com festejos organizados, em geral, por volta de junho.

Mas para os cariris, assim como para os tarairiús, a festa também comemorava o início de um novo ano, marcado pelo aparecimento das estrelas plêiades. Era a festa de Batí ou festa da “Estrela”, no idioma cariri.

Claro que os colonizadores fizeram tudo para suprimir essas tradições locais. Como, de resto, aconteceu com muitas outras características culturais fundamentais dos povos originários.

Mas na própria Europa, houve um processo parecido em relação às tradições populares consideradas pagãs, incluindo as próprias festas juninas de lá. A reportagem cita o professor da Universidade Federal da Paraíba, Ângelo Antônio:

A gente sabe que ali nos primeiros séculos do cristianismo houve uma acoplagem desse calendário pagão, que estava muito ligado aos ritos de passagem das estações, das colheitas, rituais de fertilidades, e que vão sendo de uma maneira ou de outra reapropriados pela lógica católica.

E assim caminha a chamada civilização. Atropelando e apagando importantes tradições populares.

Leia também: Os idiomas artificiais e o extermínio das línguas indígenas

9 de fevereiro de 2024

O carnaval como celebração da resistência

Em 1988, a Mangueira desfilou com o enredo “Cem anos de liberdade, realidade ou ilusão?”. Naquele ano completava-se o centenário da Abolição e a escola questionava se os negros estavam realmente livres da escravidão. O samba de Hélio Turco, Jurandir e Alvinho dizia:

...a Lei Áurea tão sonhada / Há tanto tempo assinada / Não foi o fim da escravidão / Hoje dentro da realidade / Onde está a liberdade / Onde está que ninguém viu

(...)

Pergunte ao Criador / Quem pintou esta aquarela / Livre do açoite da senzala / Preso na miséria da favela

No mesmo ano, a Unidos de Vila Isabel, trouxe o samba “Kizomba, Festa da Raça”. A letra de Rodolpho, Jonas e Luiz Carlos da Vila não deixou de lembrar a resistência negra, a rica herança africana, mas enfatizou seu caráter de festa e celebração:

Zumbi valeu / Hoje a Vila é Kizomba / É batuque, canto e dança / Jogo e Maracatu

(...)

Sarcedote ergue a taça / Convocando toda a massa / Nesse evento que congrassa / Gente de todas as raças / Numa mesma emoção

As duas escolas levantaram as arquibancadas e empolgaram a avenida. Na apuração, a votação foi apertada, com a Vila sendo campeã por apenas um ponto de diferença.

Mas o mais importante foi demonstrar em plena Sapucaí que não pode haver oposição entre festa e luta. Ou melhor, que não há resistência popular que permaneça sem que seja 
celebrada constantemente.


Bom carnaval e boas batalhas. As de confete e as outras!

Leia também: Salve a carnavalesca e milenar resistência popular!