Doses maiores

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15 de dezembro de 2023

O planeta rumo à eliminação de algumas de suas pragas

A 28ª edição da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP28) acabou há poucos dias. Aconteceu nos Emirados Árabes. Sob a presidência de um sultão, o país tem a sexta maior reserva de petróleo do mundo.

Um detalhe importante é que a maior representação do agronegócio veio do Brasil. Eles eram 10% dos membros de grandes indústrias mundiais do setor presentes. Todos juntos e misturados na grande delegação liderada pelo presidente Lula.

A próxima edição deve ocorrer no Azerbaijão, que, apesar de não ser governado por um sultão, tem um terço de sua economia ligado aos combustíveis fósseis.

Já a COP30, em 2025, será em Belém, na Amazônia. Seria bom lembrar que, em agosto passado, a capital paraense foi sede da Cúpula da Amazônia, que reuniu oito países da região. Do encontro resultou a chamada “Declaração de Belém”. Mas o documento não fixou metas ou prazos para a conservação florestal. A necessidade de zerar o desmatamento foi mencionada apenas como "um ideal a ser alcançado".

O texto também evitou estabelecer um compromisso de pôr fim à exploração dos combustíveis fósseis na Amazônia. A única autoridade a protestar contra isso foi o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, que não se deixou influenciar pelo próprio sobrenome.

O fato é que apesar da heroica resistência dos movimentos populares, essas conferências vão cada vez mais se tornando um ponto de encontro de poderosos produtores de sujeira ambiental de todo tipo.

Enquanto isso, o planeta arde como uma febre que antecede o agravamento da doença que pode expelir algumas pragas de seu organismo. Adivinhem quem está entre essas pragas?

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11 de dezembro de 2023

O capitalismo verde e os latifundiários dos ventos

Em 02/12/2023, o presidente da COP28 anunciou várias promessas para investimentos em energia renovável. A principal delas pretende triplicar a capacidade instalada global desse tipo de recurso até 2030. Mas, como no mundo dominado pelo capitalismo sempre tem um “mas”, a eliminação de novos investimentos em combustíveis fósseis ficou fora do texto.

O filósofo e escritor Airton Krenak costuma dizer que não adianta nada adotar fontes renováveis de energia se elas não substituírem recursos energéticos mais sujos, como petróleo, carvão e gás.

Fontes sustentáveis de energia não anulam os estragos sociais e ambientais. Apenas diminuem seu impacto. Enquanto não tomarem o lugar das fontes mais poluentes, acrescentarão novos problemas aos antigos. Além disso, é preciso considerar o caráter monopolista que assume a quase totalidade dos empreendimentos capitalistas na atualidade.

Vejamos o exemplo da energia eólica. Segundo um artigo publicado pelo portal ClimaInfo, empresas desse setor controlam pelo menos 262 mil hectares no Rio Grande do Norte, atualmente. Isso representa 5% da área do estado ou quase duas vezes o tamanho da capital paulistana. Metade disso está sob controle de 27 empresas sediadas aqui e a outra metade, com 19 companhias estrangeiras. “São os latifundiários dos ventos”, diz o texto.

Enquanto isso, os pequenos proprietários que arrendaram suas terras para as instalações eólicas viram seus rendimentos despencarem. Até porque estão impedidos por cláusulas contratuais de cultivar ou criar animais para não interferir na captação do vento.

Este é só um exemplo a mostrar como o verde das energias alternativas capitalistas restringe-se à cor do dinheiro que geram, tornando sustentáveis apenas os enormes lucros de uma minoria exploradora.

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