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2 de outubro de 2024

O efeito estufa e o sufocamento machista

Eunice Newton Foote foi uma cientista e militante feminista estadunidense. Foi a primeira pesquisadora a concluir que certos gases aqueciam quando expostos à luz solar, e que o aumento dos níveis de dióxido de carbono mudaria a temperatura atmosférica, podendo afetar o clima. Um fenômeno conhecido atualmente como efeito estufa.

Falecida em 1888, suas contribuições caíram no esquecimento por mais de cem anos. Até o século 21, a descoberta do efeito de estufa era atribuída a John Tyndall. Mas Eunice publicou os resultados de sua pesquisa em 1856, três anos antes de Tyndall divulgar seu trabalho. Sendo que Eunice nem era uma cientista profissional, realizando seus experimentos movida pela curiosidade e guiada por seu talento.

Nascida em Connecticut, Eunice foi criada em Nova York, centro dos movimentos sociais e políticos da época, como o abolicionismo e a luta por direitos para as mulheres. Em 1848, participou da Convenção de Seneca Falls, a primeira sobre direitos das mulheres realizada nos Estados Unidos. Eunice e Elisha, seu marido, foram signatários da Declaração de Sentimentos aprovada no evento, exigindo direitos sociais e legais iguais aos dos homens, incluindo o direito ao voto.

As informações acima são da Wikipedia. Como se pode ver, não bastassem graves problemas como aquecimento global e negacionismo climático e científico, ainda há o sufocamento machista imposto às mulheres. É desse modo que se asfixia a inteligência de metade da humanidade para preservar os mitos sobre a superioridade intelectual masculina.

Como disse, certa vez, o educador Mario Sérgio Cortella: “O contrário do machismo não é o feminismo. O contrário do machismo é a inteligência”.

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1 de julho de 2023

As falácias do machismo-alfa e do etarismo

Na edição de 25/03/2023 da revista New Yorker a jornalista Rivka Galchen publicou um artigo divulgando dados que refutam a teoria da importância dos machos-alfa na natureza e questionam a discriminação contra pessoas com base em sua idade, conhecida como etarismo. Um exemplo de etarismo ocorre quando jovens têm suas opiniões desprezadas porque seriam imaturos. Mais comum, porém, é o desrespeito a idosos, cujas capacidades são consideradas obsoletas.

O artigo de Rivka aborda as descobertas de Kira Cassidy, pesquisadora do Parque Nacional de Yellowstone, nos Estados Unidos. Observando lobos, ela descobriu que o fator decisivo nas brigas entre matilhas não é o tamanho do grupo ou um macho-alfa em sua liderança. É a presença de indivíduos idosos, machos ou fêmeas, que torna mais provável a vitória do grupo em uma batalha.

Depois disso, ela pesquisou estudos sobre outros animais e encontrou achados semelhantes. Em tempos de seca, as manadas de elefantes com uma matriarca veterana se saem melhor. Quando há escassez de peixe, as orcas seguem a avó do grupo. “Nas lutas entre bandos, vemos que os anciãos não entram em pânico”, diz Kira. “Costumam acalmar os companheiros e mantê-los unidos. Ou talvez ajudem o bando a evitar brigas que eles sabem que não podem vencer, o que aumenta sua taxa de vitórias”, conclui ela.

Essas conclusões não seriam nada surpreendentes em muitas sociedades antigas ou alternativas, nas quais a experiência dos mais velhos sempre foi muito importante. Mas em nosso meio, a obsolescência programada da produção capitalista contamina as relações pessoais. Enquanto isso, velhas falsidades, como o “machismo-alfa” e a estupidez senil, são revalidadas.

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