Dois elementos importantes se destacaram no cenário internacional, recentemente. O primeiro aparece em artigo publicado por José Eustáquio Diniz Alves.
Em seu texto, o demógrafo e pesquisador ambiental chama a atenção para o encontro ocorrido em junho passado, em Pequim, do chamado BRICS, grupo de países que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.
Para começar, o autor lembra que os BRICS surgiram no começo do século em desafio à hegemonia do G7, grupo formado pelos maiores países capitalistas: EUA, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá.
No período recente, os BRICS perderam espaço no noticiário internacional, mas Alves lembra que, em termos econômicos, o grupo ultrapassou o G7 em 2020. Dados do FMI, diz ele, mostram que em 1980, o G7 representava cerca de 50% do PIB global e o BRICS, cerca de 10%. Mas, atualmente, cada um dos dois grupos é responsável por 30% da produção mundial.
No encontro de Pequim, a China deu o tom, com o presidente Xi Jinping, criticando os Estados Unidos e afirmando que “a hegemonia Ocidental tem provocado inúmeras tragédias, conflitos e guerras”. Segundo Alves, a China “pretende liderar um BRICS renovado e ampliado”.
Outro novo elemento importante no panorama global é o fortalecimento da Organização do Tratado do Atlântico Norte. Em meio à crise militar na Ucrânia, a Otan anunciou o aumento de suas forças de reação rápida de 40 mil para 300 mil homens na Europa.
A ambição chinesa e a disposição bélica ocidental podem causar mais turbulências no já agitado panorama global e atiçar o incêndio em nosso circo local.
Leia também: EUA e Ucrânia: uma cajadada, muitos coelhos
