Doses maiores

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4 de junho de 2012

Monopólios sequestram criação intelectual

O blog “livrosdehumanas.org” disponibilizava centenas de livros para download gratuito. Recentemente, foi fechado pela Justiça a pedido de uma associação de editoras que alega prejuízo a direitos autorais.

Não é o que acham muitos autores que tinham suas próprias obras colocadas à disposição pelo blog. Por isso, lançaram o documento “Em defesa de uma biblioteca virtual”. O texto diz que:

São incontáveis os exemplos de escritores e editoras que não só se tornaram mais conhecidos, como tiveram um incremento na venda de suas obras depois que estas apareceram para download. O público que baixa livros é o mesmo que os compra.

O fato é que os detentores dos direitos autorais nem sempre são os próprios autores. São os monopólios de reprodução das obras. Grandes editoras e gravadoras, por exemplo.

A grande maioria dos títulos disponibilizados pelo blog que foi fechado está esgotada. Há blogs que se dedicam a disponibilizar apenas discos fora de catálogo. E também sofrem grande repressão. Ou seja, são obras cujos direitos são propriedade de monopólios, mas estes nem as colocam à venda nem permitem o acesso a elas.

Outro trecho do documento esclarece os motivos disso:

...o verdadeiro conflito não é entre proprietários e piratas, mas entre monopolistas e difusionistas. A concepção monopolista-formal dos direitos autorais está embasada na ideia de que aquilo que confere valor à obra é a sua raridade, o seu difícil acesso; já a difusionista-democrática se ampara na inseparabilidade de publicidade e valor. A internet favorece a segunda concepção, uma vez que a existência física do objeto cultural que sustentava a primeira vai sendo substituída por sua transformação em entidade puramente informacional. Desse modo, também se produz uma transformação da natureza das bibliotecas. As novas bibliotecas virtuais se baseiam no armazenamento e na disseminação tais como as antigas bibliotecas materiais, mas oferecem uma mudança decisiva porque a estocagem depende da distribuição e não o contrário: é a difusão que garante o armazenamento descentralizado dos arquivos.

Na verdade, essa situação poderia ser um exemplo do choque entre forças produtivas e relações de produção a que se referia Marx. A internete é uma espécie de “força produtiva” que gera enormes lucros. Mas também permite trocar produtos de forma rápida e quase de graça. Algo que entra em choque com relações baseadas no direito de propriedade.

Para superar essa contradição só com a abolição do controle privado dos meios de produção. No caso, de reprodução. Só com o fim do sequestro da criação intelectual pelos monopólios.

27 de maio de 2010

Dívida pública: pirata e cara!

Dias atrás, apareceu na imprensa: “Pesquisa da Fecomércio do Rio aponta que 46% das pessoas adquiriram produtos piratas em 2009; para 94%, principal motivo é o preço”. Conclusão a que chegaria qualquer criança com mais de 5 anos de idade.

Já a Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF) diz que o Brasil perdeu US$ 20 bilhões com pirataria no ano passado. Trata-se de impostos não arrecadados e prejuízos para as empresas.

Sobre os prejuízos empresariais, os neoliberais dizem que o mercado deve ser deixado livre para regular oferta e procura. Então, o que o mercado está sinalizando ao buscar produtos piratas? Que é preciso baixar os preços e não sair caçando vendedores ambulantes.

Já em relação aos impostos, sabemos como é gasto o dinheiros dos impostos no Brasil. É assim: uns 48 % vão para juros e refinanciamento da Dívida Pública. Já, os orçamentos da Saúde e Educação ficam com pouco mais de 5%. A dívida pública é formada pelas dívidas interna e externa. Está em pouco mais de R$ 2 trilhões. São 2/3 de tudo o que a economia produz num ano.

Onde exatamente foi aplicado tanto dinheiro não se sabe. Mas não foi em nada que melhorasse a vida da grande maioria do povo brasileiro.

Se tem alguma coisa que consegue ser pirata e muito cara neste país é essa dívida.