“Movimento radical de resistência operária surgido na Inglaterra no século 19, promovendo a destruição de máquinas fabris”. Esta é uma resposta-padrão quando se busca por “Ludismo” na internete.
Mas desde que Edward Palmer Thompson abordou o fenômeno em seu livro “A formação da classe operária inglesa”, sabemos que o movimento foi bem mais que isso.
Segundo o historiador inglês, a luta ludita era contra a liberdade dos capitalistas de destruir tradições da vida produtiva, seja através de novas máquinas ou pela concorrência predatória, que arruinava pequenos negócios e achatava salários.
Os industriais que construíram sua fortuna por esses meios eram vistos pela maioria dos trabalhadores como alguém envolvido em práticas imorais e ilegais.
Thompson esclarece que os luditas defendiam uma comunidade democrática, na qual o crescimento industrial seria regulado de acordo com prioridades éticas e a procura do lucro subordinada às necessidades humanas.
Estamos em um momento em que se destroem empregos em alta velocidade. A experiência ludita pode ser importante, não pela destruição de máquinas, até porque muitas das ferramentas usadas para eliminar ocupações são aplicativos quase sem materialidade.
Os ludistas participaram da vanguarda das lutas que levaram à limitação da jornada diária de trabalho a dez horas, na Inglaterra. Para Marx, uma conquista em que, pela primeira vez, “a economia política da burguesia sucumbiu à economia política da classe operária".
É disso que se trata. Ficarmos atentos para lutas que possibilitem vitórias da economia política dos trabalhadores. Provavelmente, envolvendo força de trabalho explorada pelo capitalismo de plataforma, como entregadores e motoristas de aplicativos, empacotadores de gigantes varejistas, programadores e outros proletários digitais.
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