Doses maiores

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20 de junho de 2022

Uma burguesia muito vagabunda e violenta

Em seu artigo O lumpen empresariado, publicado em 11/06/2022, Leonardo Avritzer comenta o episódio envolvendo o cancelamento pela corretora XP da publicação de uma pesquisa eleitoral que apontava a consolidação da liderança de Lula nas eleições presidenciais deste ano.

A empresa é uma das maiores do mercado financeiro nacional e, como lembra o autor, “aderiu, entusiasmadamente em 2018, à candidatura Jair Bolsonaro”, como se tratasse da candidatura favorável às forças do livre mercado.

Avritzer pergunta por que “o empresário brasileiro defende petróleo caro, nega pesquisas e aplaude um governo e uma proposta política que nega os princípios mais básicos do liberalismo econômico em torno do próprio liberalismo?”

Ele responde com a seguinte hipótese:

Formou-se no Brasil um lumpen empresariado. Marx no livro 18 Brumário falava de “lumpen proletariado” e o definia da seguinte forma: pessoas de “… duvidosos meios de vida e de duvidosa procedência, junto a descendentes degenerados e aventureiros da burguesia, vagabundos, licenciados de tropa, ex-presidiários, fugitivos da prisão, escroques, saltimbancos… etc.”. Nos dias que correm no Brasil, eu arriscaria dizer que essa definição retrata bem o empresariado bolsonarista e seus líderes.

Segundo ele, “não existe nada de liberalismo na representação conceitual desse grupo de empresários. Há apenas interesses econômicos de curto prazo, de predação e rentismo do Estado. A atitude da XP, representante por excelência dessa nova concepção de capitalismo extrativo e predatório”.

A definição faz sentido. Mas concorre com outras em circulação nos debates da esquerda. É o caso daquela que foi adotada pelo filósofo Paulo Arantes, que prefere caracterizar esse empresariado nacional tosco como representante de um “capitalismo jagunço”.

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