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20 de maio de 2024

Uma história social da inteligência artificial

Era o ano de 1767, o capitalismo industrial começava a surgir na Europa, quando o filósofo escocês Adam Ferguson disse o seguinte:

As manufaturas prosperam mais onde a mente é menos consultada, e onde a oficina pode ser considerada como um motor, cujas partes são os homens.

Em 1827, foi a vez de Thomas Hodgskin, socialista inglês, afirmar em sua obra “Economia Política Popular”:

A menos que haja trabalho mental, não pode haver destreza manual; e nenhuma capacidade de inventar máquinas. Portanto, o trabalho mental é essencial para a produção.

Muitos anos depois, Marx citaria esses dois autores em “O Capital”, para sublinhar que as habilidades laborativas são um recurso comum partilhado entre os trabalhadores e passado de geração em geração. É um poder produzido e partilhado coletivamente. E é a apropriação deste poder pelos donos dos meios de produção que está por trás do desenvolvimento das forças produtivas sob o domínio do capital. Desde os primeiros teares mecânicos até os mais recentes desenvolvimentos da chamada inteligência artificial.

Para Marx, o trabalho é sempre coletivo: não existe trabalho individual mais prestigiado que outro e, portanto, o trabalho mental é sempre geral. A mente é por definição social.

Desse modo, é um equívoco dizer que a inteligência artificial imita o cérebro humano. Ela é produto das relações de trabalho injustas que o capitalismo impõe à grande maioria.

É essa principal tese de “O olho do mestre: uma história social da inteligência artificial”, livro do filósofo italiano Matteo Pasquinelli, que já apareceu por aqui e continuará sendo comentado nas próximas pílulas.

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15 de janeiro de 2024

Capitalismo control C, control V

No livro “Pós-Capitalismo: um guia para o nosso futuro”, Paul Mason defende a hipótese de que formas básicas de uma economia pós-capitalista já podem ser encontradas no interior do sistema vigente.

Essa situação seria causada principalmente pelas modernas tecnologias da informação, cujo funcionamento corrói os mecanismos de mercado, mina os direitos de propriedade e destrói a velha relação entre salários, trabalho e lucro, diz o autor.

O raciocínio é o seguinte. Uma vez que você pode copiar e colar algo, sua reprodução torna-se gratuita. O sistema reage a isso tornando legalmente impossível copiar certos tipos de informação. Mas o fato é que qualquer que seja o expediente utilizado para protegê-las, essas informações permanecem copiáveis e compartilháveis a um custo insignificante.

A teoria dos economistas do sistema é incapaz de compreender um mundo de bens a preço próximo do zero, espaço econômico compartilhado, organizações não mercantis e produtos não proprietários, afirma Mason.

Desse modo, as condições objetivas para uma economia comunista estariam cada vez mais maduras no interior do sistema. Até aí, trata-se de um constatação compatível com o marxismo, que sempre parte das condições concretas para criar possibilidades revolucionárias. Mas entender que essa economia já está em funcionamento e prospera sob as leis econômicas implacáveis do capitalismo é uma ideia incompatível com o que pensa a maioria dos teóricos do marxismo, incluindo o próprio Marx.

De qualquer maneira, o livro vale a leitura pelo que revela sobre as agudas contradições em que a economia capitalista vem se metendo.

Uma resenha mais detalhada foi publicada na edição 15 da Revista Mouro, que pode ser adquirida aqui.

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