O tema da pílula anterior foi o romance de ficção científica “Estrela vermelha”, de Alexander Bogdanov, citado por Paul Mason em seu livro “Pós-capitalismo”.
Bogdanov comandou o partido no soviete de Petrogrado, durante a Revolução de 1905. Mas, em 1909, seria expulso devido a divergências com a linha leninista. Mason afirma que tais divergências aparecem no livro, no trecho em que seu autor:
...advoga a maturidade tecnológica como precondição para a revolução, a derrubada pacífica dos capitalistas por meio de acordo e compensação, um foco na tecnologia como meio de reduzir o trabalho a um mínimo e uma insistência inflexível na ideia de que é a própria humanidade que precisa ser transformada, não apenas a economia. Além disso, um tema importante em Estrela vermelha é que a sociedade pós-capitalista tem que ser sustentável para o planeta. Os marcianos cometem suicídio voluntariamente quando percebem que são em número excessivo para o planeta suportar.
Segundo Mason, os elementos acima seriam inaceitáveis para a concepção revolucionária de Lênin. Exagero, já que alguns deles talvez fossem viáveis, caso a Revolução Russa não tivesse sido sufocada por quase duas dezenas de exércitos imperialistas.
Mas, com certeza, Lênin jamais confiaria nos capitalistas para fazer um “acordo com compensação”. E os próprios capitalistas mostraram que não são confiáveis, ao aceitarem o fascismo como mal menor diante da vitória socialista na Rússia.
Desde então, a burguesia jamais escondeu que prefere a barbárie à mínima concessão em relação a seus interesses. Confiar em um pacto com os capitalistas equivale ao suicídio marciano de que fala o livro para a grande maioria dos terráqueos.
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