Junho de 2013 foi um acontecimento objetivo da luta de classes. Iniciado por movimentos como o da luta pelo Passe Livre, a dimensão gigantesca que suas manifestações assumiram não foi resultado da ação de nenhum ator político.
As forças que participavam dos acontecimentos não conseguiram ou não pretendiam imprimir-lhes uma direção centralizada ou pauta unificada. Mas seu perfil de esquerda era inegável.
Se a situação econômica era relativamente estável, não se podia dizer o mesmo das lutas sociais. Em 2013, o número de greves no país atingiu o maior índice em décadas. Mas nem a esquerda governista nem a oposicionista conseguiram transformar essa elevada temperatura sindical em apoio a seus respectivos projetos.
Elemento fundamental era uma sociedade com uma enorme demanda represada por justiça social frente a uma estrutura de dominação totalmente avessa a tal pretensão. Mesmo a chamada “inclusão pelo consumo” promovida pelo projeto petista mostrou-se tão inaceitável pelos de cima como insuficiente diante dos anseios vindos de baixo.
Outro elemento objetivo era um partido de esquerda ocupando a presidência da república há uma década. Refém e cúmplice do pacto pela “governabilidade”, a reação do petismo oficial foi truculenta e intolerante.
Junho surpreendeu a esquerda moderada e a radical; a direita tradicional e sua ala selvagem. Mas somente esta última saberia explorar, nos anos seguintes, as contradições expostas pelos acontecimentos de 2013.
Tudo isso mostra que menos que ovos de serpente, havia muitas possibilidades promissoras que foram pisoteadas. Ignorar toda essa complexidade nos levará a cometer erros ainda mais graves na eventualidade nada desprezível de outro Junho acontecer.
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