Doses maiores

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24 de fevereiro de 2025

O genocídio por inteligência artificial já chegou

“‘Blade Runner’, ‘2001: Uma Odisseia no Espaço’, ‘O Exterminador do Futuro’, ‘Matrix’. Essas produções cinematográficas representaram um dos maiores temores da humanidade: o da sinistra criatura que se emancipa de seu criador, aniquilando-o”, escreve Pablo Elorduy, no artigo “A máquina dos assassinatos em massa: Vale do Silício abraça a guerra”, publicado recentemente.

Mas, adverte ele no mesmo texto, a questão:

...não é se as máquinas um dia se erguerão para colocar sua bota sobre o rosto da humanidade, mas sim como já estão sendo usadas para travar guerras, violar liberdades civis e silenciar populações dissidentes.

Hasbora, Replicator, Hivemind são programas de inteligência artificial capazes de matar dezenas de pessoas com uma simples operação. Mas eles não funcionariam, em toda sua capacidade, sem os dados fornecidos pelas gigantes da tecnologia Google, Amazon, Microsoft, Meta e OpenAI, cada vez mais “alinhadas ao projeto cultural, econômico e político encarnado pelo novo César americano, Donald Trump”, diz Elorduy.

Sem as informações fornecidas por meio de acordos como o Projeto Nimbus assinado em 2021 pela Google e Amazon com as autoridades israelenses, afirma ele, as forças israelenses não seriam capazes de cometer o massacre da população de Gaza.

Para completar, no início de fevereiro passado, a Google eliminou de suas diretrizes uma cláusula que proibia o desenvolvimento de IA destinada a fins militares.

Tudo isso mostra que a presença dos donos das big techs na posse de Trump não ocorreu a contragosto. Ao mesmo tempo, a utilização militar de inteligência artificial é bem anterior ao primeiro governo Trump.

As criaturas robóticas são sinistras, realmente. Mas muito menos que seus criadores.

Leia também: Big thecs: o autoritarismo neoliberal escancarado

18 de fevereiro de 2025

Big thecs: o autoritarismo neoliberal escancarado

Dora Kaufman é especialista dos impactos sociais da Inteligência Artificial e autora do artigo “É ilusão achar que regulamentar resolve tudo no meio digital”, publicado no Globo em 17/02/2025.

Como diz o título de seu texto, Dora preocupa-se com as dificuldades para que o “poder público” coíba abusos decorrentes da utilização da inteligência artificial. Seria preciso criar as leis adequadas, implementá-las e fiscalizar seu cumprimento. Tarefa que implicaria um “custo excessivo para o poder público”, diz ela.

A situação é ainda mais complexa, afirma Dora:

...pelo fato de as grandes empresas de tecnologia americanas, as big techs, se configurarem como principais “adversárias” do Estado nas iniciativas regulatórias. Elas dominam a infraestrutura digital e oferecem serviços essenciais tanto para a sociedade quanto para o próprio Estado. AWS (Amazon), Azure (Microsoft) e Google Cloud controlam quase 67% da computação em nuvem. Android (Google) e iOS (Apple) dominam o mercado de sistemas operacionais para smartphones, enquanto o Chrome (Google) detém 68% do mercado mundial de navegadores e o Safari (Apple), 17%. Além disso, no primeiro semestre de 2024, a Meta captou 64% dos gastos globais com anúncios em redes sociais.

Os números realmente são muito preocupantes, mas também reveladores. O fato é que regulamentações nunca passaram de um disfarce para encobrir a coincidência dos interesses de classe de monopólios privados e estados. Recorrer a elas hoje é insistir na farsa, ainda mais quando uma figura como Trump pilota a mais poderosa máquina governamental do mundo.

Muito dificilmente, haverá qualquer tipo de regulação. Mas, pelo menos, o autoritarismo do capitalismo neoliberal ficaria mais escancarado.

Leia também: Zuckerberg, Musk, Bezos têm razões

6 de fevereiro de 2025

Zuckerberg, Musk, Bezos têm razões

Ao se negar a controlar os algoritmos de ódio e discriminação de suas redes virtuais, o proprietário da Meta faz o que qualquer capitalista faz. Cuida de seus lucros. Ao morder a mão do estado que o alimentou, promovendo o desmonte das estruturas públicas que não o interessam, Musk faz o mesmo.

Não peçam aos donos ou acionistas majoritários das petroleiras que abram mão dos enormes lucros que conseguem explorando combustível fóssil para salvar grande parte da humanidade do colapso climático. Isso não faz sentido tanto quanto pedir algo semelhante a Zuckerberg e Musk, em nome de salvar a “democracia” ou respeitar o bem coletivo.

A presença dos dois, mais Bezos e executivos da Microsoft, Apple e Google na posse de Trump é mais do que esclarecedora. Todos eles têm razão. Ou melhor, todos eles têm as suas razões. As razões da acumulação do capital, da opressão e ataques aos setores minoritários ou minorizados, da exploração econômica, da destruição bélica e da espoliação territorial, cultural, mineral, energética e ambiental dos países periféricos.

Ao mesmo tempo, em relação aos interesses da enorme maioria da humanidade e de grande parte da vida no planeta, todos eles estão completamente errados. O gesto nazista do dono da X não deixa dúvidas sobre isso e o torna representante legítimo e pleno de seus colegas bilionários e do governo a que eles servem e do qual se servem.

Leia também: O imperialismo na fase digital do capitalismo

24 de setembro de 2024

O imperialismo na fase digital do capitalismo

Há alguns anos, o governo federal vem assinando convênios com a Google. Um exemplo é o que foi anunciado em junho de 2023, visando facilitar o acesso a benefícios sociais e vacinas. Mas também há a utilização do gmail como correio eletrônico oficial de muitos órgãos públicos.

Em recente entrevista, o pesquisador especializado em tecnologia digital Evgeny Morozov, demonstrou preocupação com esse tipo de relação:

Se uma empresa se tornar o fornecedor padrão de serviços de análise de dados nos nossos ministérios da saúde, diz ele, o estado de bem-estar social permanecerá o mesmo ou serão privatizados pela Big Tech?

Ainda segundo Morozov:

Estamos perante a mesma situação que os teóricos da dependência descreveram nas décadas de 1960 e 1970: o progresso tecnológico ocorre em paralelo com a regressão econômica ou o subdesenvolvimento industrial.

Quando fala em teóricos da dependência, Morozov deve estar se referindo a nomes como Ruy Mauro Marini, André Gunder Frank, Theotonio dos Santos e Vania Bambirra. Segundo estes pensadores, o subdesenvolvimento dos países periféricos não é um estágio a caminho do desenvolvimento, mas resultado de sua inserção subalterna na economia mundial capitalista.

Vale a pena ler a longa entrevista na íntegra. Morozov manifesta muitas outras preocupações relacionadas às transformações provocadas pela tecnologia digital. Várias delas bastante pertinentes e esclarecedoras. Mas também faz afirmações polêmicas, como a necessidade de a esquerda buscar atender as demandas de uma “subjetividade pós-moderna”.

Pode até ser. Mas a persistência da validade da teoria da dependência em plena era das big techs parece demonstrar que continuamos mergulhados na velha modernidade capitalista. Também conhecida como imperialismo.

Leia também: Inteligência artificial: um combo de problemas

22 de fevereiro de 2024

A aposta de 1 bilhão de dólares na barbárie

Em 16/02/2024, Pedro Doria publicou o artigo “Como lidar com riqueza digital?”. Segundo o texto, recentemente Sam Altman, alto executivo da empresa de Inteligência Artificial OpenAI, deu uma entrevista em que declarou:

No meu grupo de chat com outros executivos de tecnologia temos um bolão para ver quem acerta o ano em que teremos a primeira empresa que vale US$ 1 bilhão com uma só pessoa.

Em seguida, o colunista explica que até 20 anos atrás, companhias avaliadas em US$ 1 bilhão tinham “parques fabris espalhados pelo planeta e centenas de milhares de funcionários”.

Já as atuais corporações tecnológicas que chegaram ao US$ 1 bilhão empregam somente algumas dezenas de milhares de trabalhadores. Agora, a utilização da inteligência artificial possibilitaria criar firmas com valor de mercado bilionário, empregando uma única pessoa, seu proprietário.

O articulista afirma que tais companhias poderiam ser pesadamente taxadas. Desse modo, financiariam um programa de renda mínima universal para socorrer os que tiverem seus empregos eliminados. Só que essa conta não fecha. O mesmo neoliberalismo que incentivou a criação dessas enormes corporações eliminadoras de empregos é especialista em transferir a carga fiscal do grande capital para os trabalhadores.

Claro que ainda há diversas atividades que exigem muita força de trabalho humana. Mas que a atual vanguarda tecnológica da economia capitalista trabalhe para aumentar ainda mais a concentração de patrimônio e riqueza mostra o tipo de sociedade que pretende construir.

E confirma que o propósito maior da inteligência artificial é descartar trabalho humano, contribuindo para condenar grandes parcelas da população ao subemprego, superexploração e desemprego.

A verdadeira aposta é na barbárie.

Leia também: Inteligência artificial e trabalho mal pago

27 de novembro de 2023

Quebrando as coisas no trabalho

Lançado em 2021, e ainda sem tradução do inglês, o livro “Breaking Things at Work” pode ter seu título traduzido como “Quebrando as coisas no trabalho”. Nele seu autor, Gavin Mueller, faz um exaustivo estudo sobre a resistência dos trabalhadores às inovações tecnológicas que lhes são prejudiciais, no espírito do que ficou conhecido como ludismo.

Trata-se de um movimento de resistência operária surgido na Inglaterra do século 19, promovendo a destruição de máquinas fabris. Mas segundo Mueller, o livro não é apenas sobre os luditas. Mais do que isso, ele afirma estar "interessado na política por trás do movimento. Política que assumiu uma postura militante em relação à reorganização tecnológica do trabalho empreendida pelos primeiros capitalistas”.

O objetivo do autor é “escavar” uma linha de pensamento dentro da teoria marxista, "voltando ao próprio Marx, para demonstrar que o ludismo é intelectualmente compatível com o marxismo”.

Para Mueller, "ser um bom marxista é também ser um ludita. Embora eu queira transformar os marxistas em luditas, também tenho outro objetivo: quero transformar as pessoas que criticam a tecnologia em marxistas”. Ainda segundo ele, o maior problema da tecnologia é “seu papel na reprodução de hierarquias e injustiças impostas à maioria de nós por proprietários de empresas, chefes e governos”.

A luta anticapitalista, conclui o autor, terá necessariamente as atuais máquinas como alvo, e sua obra pretende documentar os momentos em que isso já aconteceu. Dos primeiros teares mecanizados à automação dos processos de produção. Das sabotagens em linhas de montagem às ações de hackers contra as big techs.

Continuaremos a comentar esse interessante livro nas próximas pílulas.

Leia também: O movimento negro na resistência à automação produtiva

30 de setembro de 2023

Big thecs e a Mentalidade do capitalismo extremo

Abaixo, mais trechos do livro “A sobrevivência dos mais ricos”, de Douglas Rushkoff. Neles, o autor descreve o que chamou de “A Mentalidade”, fenômeno que tomou conta do Vale do Silício no início do atual século.

Em vez de continuar apenas fornecendo resultados de pesquisa a seus usuários, a Google entrou no negócio ainda mais lucrativo de fornecer dados dos usuários a seus verdadeiros clientes: os especialistas em mercado que procuram abordar os usuários e manipular seu comportamento.

Da mesma forma, Mark Zuckerberg mudou sua atividade da veiculação de anúncios para a venda de dados. Quanto mais tempo e mais emocionalmente ficamos envolvidos com a plataforma, mais o Facebook aprende sobre nós para enriquecer seus investidores às nossas custas.

Nessa nova versão do capitalismo extremo, a tecnologia digital é valorizada pela sua capacidade de expandir os negócios sem necessidade de contratar muita gente. Fórmula quase exclusiva para proporcionar maiores lucros e vender a imagem de empresa inovadora, turbinando o preço das ações.

Como explicou Scott Galloway, professor de administração da Universidade de Nova York, “decidimos que capitalismo significa ser amoroso e empático com as corporações e darwinista e severo com os indivíduos”. O governo socorreu prontamente bancos e empresas na recessão de 2008 e a crise da Covid aumentou a riqueza dos bilionários de 8,9 para 10,2 bilhões de dólares apenas no primeiro ano.

A Mentalidade incentiva uma forma de “vitória” que eleve seus vencedores humanos e empresariais acima daqueles que serão necessariamente deixados para trás. Deixados para trás literalmente, já que a ideia deles é abandonar o planeta que vêm ajudando a destruir.

Doses suspensas até meados de outubro.

Leia também: Da contracultura psicodélica às big techs neoliberais

28 de setembro de 2023

Da contracultura psicodélica às big techs neoliberais

Em seu livro “A sobrevivência dos mais ricos”, Douglas Rushkoff relata sua experiência como parte da geração que participou da onda tecnológica surgida no Vale do Silício.

No começo da década de 1990, diz ele, os mundos da contracultura e da informática pareciam idênticos. Os membros da comunidade psicodélica da Califórnia eram particularmente adequados para imaginar ambientes virtuais e novos modos de comunicação.

Recrutando sua força de trabalho em ambientes de rebeldia cultural, a revolução cibernética seria caracterizada menos pela burocracia militar do pós-guerra, ou pelas corporações de alta tecnologia, do que pelos “novos comunalistas”.

Se a internete tinha um inimigo, diziam os filhos da geração hippie, não seriam as empresas que ofereciam brinquedos para nossa diversão e ainda pagavam pelo nosso tempo. Era o governo, que usava computadores para jogos de guerra, prendia jovens hackers sob falsas acusações e tentava censurar nossa comunicação online.

A “Declaração de Independência do Ciberespaço” publicada por John Barlow, em 1996, atacava o autoritarismo governamental sobre a internete, considerada um novo “projeto coletivo da humanidade”. Mas poucos se lembram do lugar em que o documento foi lançado: “Davos, Suíça”. Em pleno Fórum Econômico Mundial, ponto de encontro dos campeões da globalização neoliberal.

Não percebíamos, conclui o autor, que banir o governo da internete criaria uma zona livre para a colonização corporativa. Foi aí que começaram a surgir monstrengos empresariais como Google, Facebook, Uber e Airbnb.

Novamente, um movimento surgido com pretensões rebeldes foi capturado pela lógica do capital. Contra isso não há garantias, a não ser a constante vigilância e mobilização militantes.

Leia também: Bilionários sem vestígios de humanidade

26 de setembro de 2023

Bilionários sem vestígios de humanidade

Nos Estados Unidos, é famosa a história do elevador de comida inventado por Thomas Jefferson para evitar que seus escravizados tivessem que subir as escadas carregando pratos e tigelas. No andar de cima, os comensais tinham apenas que abrir uma portinhola e o jantar estava servido.

Mas a engenhoca não foi criada para poupar as energias dos cativos. O objetivo era preservar os convidados da visão de pessoas bufando e suando. A comida chegava, sem nenhum sofrimento humano visível.

Muitos dos atuais processos tecnológicos são baseados nessa mesma lógica. Na etapa final da montagem dos celulares, por exemplo, os trabalhadores limpam cada unidade com um solvente que remove suas impressões digitais dos aparelhos. O produto pode causar abortos, câncer e reduzir a expectativa de vida de quem o manipula. Mas o que importa é a eliminação de todos os vestígios humanos.

Algumas das grandes inovações da Amazon existem somente para proteger seus clientes da realidade desagradável de seus processos de produção. Os entregadores nem tocam a campainha. Uma foto do pacote na varanda chega automaticamente à sua caixa de mensagens, enquanto Alexa emite um aviso. Não precisamos encarar a pobre alma que dirige o caminhão, muito menos aqueles que correm entre os robôs no galpão.

Robôs não substituem os custos humanos e as condições degradantes de trabalho. Eles os escondem.

As informações acima são do livro “A sobrevivência dos mais ricos”, de Douglas Rushkoff. Convidado a falar para alguns bilionários das big techs, o autor fez esse relato para tentar explicar que tipo de pessoas encontrou pela frente. Gente sem qualquer vestígio de respeito humano.

Leia também: O medo egoísta de bilionários diante do apocalipse

11 de agosto de 2023

Inteligência artificial: o mundo ao deus-dará

"Oppenheimer virou símbolo contra inteligência artificial". Com este título Martim Vasques da Cunha publicou interessante artigo na Folha, em 22/07/2023. Ele mostra como o paralelo entre aquele que é considerado o pai da bomba atômica e os criadores da inteligência artificial foi traçado por estes últimos com intenções escusas.

É o caso de Sam Altman, um dos responsáveis pela OpenAI. Segundo ele, a criação da bomba atômica mostrou que o avanço da tecnologia é inevitável.

O que Altman e outros da área não dizem é que Oppenheimer defendeu a transparência e o compartilhamento do conhecimento sobre a fissão nuclear. O objetivo era impedir que uma nação ou um bloco delas ficassem tão à frente no domínio da nova tecnologia que se sentiriam seguros para atacar sem temer retaliações.

Ora, diz Cunha, “isso é o exato oposto do que nossos cientistas e intelectuais querem fazer com a inteligência artificial”. Lembrando a proposta de moratória do desenvolvimento da IA que partiu dos próprios especialistas, o autor afirma que a ideia é “suspender tudo, somente para manter o avanço tecnológico em segredo e deixar a sociedade civil no escuro”.

Oppenheimer temia que o “controle do apocalipse” ficasse nas mãos dos políticos e militares. Já a meia dúzia de desenvolvedores da inteligência artificial não presta contas a ninguém. Tornaram-se imensos monopólios graças a dinheiro público e à destruição de empregos, ocupações e negócios em vários setores da economia. De jornalistas e publicitários aos pequenos varejistas e prestadores de serviços. Mas, como diz Cunha, “querem desviar este novo tipo de conhecimento apenas para si mesmos e abandonar o mundo ao deus-dará”.    

Leia também: Barbenheimer ou Missão Oppenheimer?

22 de março de 2023

Grande Mídia: cercados por inimigos de um lado e do outro

“As plataformas digitais são coniventes com a campanha contra a imprensa orquestrada por grupos de extrema direita nas redes sociais e deveriam ser responsabilizadas por isso”, diz editorial do Globo, de 19/03/2023.

O texto utiliza dados da pesquisa “Ataques à imprensa”, do laboratório NetLab, da UFRJ. Apresenta números sobre o poder de fogo das plataformas YouTube, Facebook, WhatsApp, Telegram e Tik Tok. Por fim, revela quais seriam as narrativas de ataque à imprensa identificadas pelo levantamento:

1) a “mídia” representa o “establishment” e manipula o “povo”; 2) os grupos de extrema direita defendem a “liberdade de expressão” e revelam a “verdade”; 3) a imprensa profissional é “autoritária” e quer calar a extrema direita; 4) ela defende imoralidades contra a família; 5) ela conspira com os institutos de pesquisa; 6) ela dá muito espaço às mulheres.

Com alguns ajustes, nós, da esquerda, poderíamos até assinar embaixo dos pontos 1 e 5 desse diagnóstico. Os outros são coisa de lunáticos.

Mas o que o texto mostra, mesmo, é como perdemos espaço nessa arena tão fundamental para a disputa de hegemonia com as classes dominantes. Estamos reduzidos a assistir a uma guerra entre antigos e novíssimos monopólios midiáticos. Conflito que pode ter como
provável resultado a derrota das forças populares. Principalmente, se resolvermos apoiar um dos lados.

E é assim que parecem estar se comportando o governo Lula, o PT e a esquerda em geral. Continuamos menosprezando a necessidade de uma rede própria de comunicação popular. Um erro histórico, renovado periódica e frequentemente. Nossos inimigos, de um lado e do outro, agradecem.

Leia também: A disputa nas redes não deve ser menosprezada