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2 de setembro de 2024

Malcolm e Martin calados por balas

Em 28 de agosto completaram-se os 50 anos da morte de Martin Luther King, atingido por um tiro, em Memphis. Três anos antes, Malcolm X também morrera alvejado por 21 balas, em Nova Iorque.


Essas duas figuras gigantes das luta antirracista tinham várias diferenças entre si. A começar pelos lugares onde surgiram e pelas formas de resistência que adotaram. 

King lutava pela integração dos negros à cidadania no sul dos Estados Unidos, onde o racismo era legalizado. Malcolm queria deixar evidentes as diferenças com que era tratada a população negra no leste do país, onde o racismo não era previsto em leis, mas exercido sem constrangimentos. Em especial, através da violência policial, utilizada com total cumplicidade e apoio das elites brancas.

Contra o racismo escancarado, King defendia o diálogo e a resistência pacífica, buscando nada mais do que a ampliação dos direitos dos brancos para os negros. Onde o racismo tentava camuflar sua crueldade, Malcolm queria escancará-la. Responder à violência racista do Estado com o uso do legítimo direito de defesa da população negra.

Um enfatizava o diálogo e a ação pacífica. O outro, a ação direta e a resistência “por todos os meios”. Mas ambos foram eliminados no momento em que começavam a desafiar as próprias raízes da desigualdade econômica e racial da sociedade em que viviam.

A morte deles foi uma grande vitória do aparato de dominação estadunidense. Um sistema que só permite a alguns não brancos ascenderem a posições de poder, desde que se calem sobre o racismo que o estrutura.

Leia também: O movimento negro na resistência à automação produtiva

4 de dezembro de 2023

Malcolm X pergunta pelo messias do sionismo

Em 1964, Malcolm X escreveu um artigo de apoio irrestrito ao povo palestino contra a invasão israelense a seu território. O texto começa pelo seguinte raciocínio:

Se os sionistas israelenses acreditam que sua atual ocupação da Palestina árabe é o cumprimento das previsões feitas por seus profetas judeus, então eles também acreditam religiosamente que Israel deve cumprir sua missão “divina” de governar todas as outras nações com um cetro de ferro, o que significa apenas uma forma diferente de
governo de ferro, ainda mais firmemente entrincheirado do que o das antigas potências coloniais europeias.

Após denunciar o sionismo como representante dos interesses imperialistas, não só no Oriente Médio, mas também na África, ele termina perguntando:

Os sionistas tinham o direito legal ou moral de invadir a Palestina árabe, arrancar os cidadãos árabes de suas casas e tomar para si todas as propriedades árabes apenas com base na alegação “religiosa” de que seus antepassados viveram lá há milhares de anos? Há apenas mil anos, os mouros viviam na Espanha. Será que isso daria aos mouros de hoje o direito legal e moral de invadir a Península Ibérica, expulsar seus cidadãos espanhóis e depois criar uma nova nação marroquina onde a Espanha costumava estar, como os sionistas europeus fizeram com nossos irmãos e irmãs árabes na Palestina?

Em resumo, o argumento sionista para justificar a atual ocupação da Palestina árabe por Israel não tem qualquer base lógica ou legal na história, nem mesmo em sua própria religião. Onde está o Messias deles?

Onde está o messias do sionismo? Há poucos dias, morreu um excelente candidato ao posto.

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