Doses maiores

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29 de junho de 2022

Davos Men, novos parasitas do velho capitalismo

O autor do livro “Davos Man” pode ter as intenções mais louváveis. Mas delas, o inferno capitalista está cheio.

São justas as denúncias que Peter S. Goodman faz dos ricaços que frequentam o Fórum de Davos. Mas ele atribui as maldades desses homens a eles próprios e não ao sistema que os criou.  

Segundo Goodman, o capitalismo é “a forma mais avançada de organização econômica”. Só lhe faltaria “um mecanismo inerente que distribua com justiça os ganhos”. Uma responsabilidade de governos “operando sob um mandato democrático”.

Cita como exemplo a Grã-Bretanha, que teria reagido à depressão dos anos 1930, “construindo um modelo de bem-estar social que compartilhava os ganhos de seu poderio industrial”.

Mas foi a classe trabalhadora em sua luta contra a barbárie fascista que levou o capital a aceitar dividir uma fração de seus lucros. Mesmo assim, apenas durante um pequeno intervalo na história do capitalismo e em algumas poucas regiões do planeta.

Não há “mecanismo inerente de distribuição econômica justa” no capitalismo. A prova é exatamente a existência dos homens de Davos. Não há nenhuma grande contradição entre eles e o restante da burguesia mundial.

Bezos, Musk, Gates, Zuckerberg, Google, Uber apenas encontraram novas e mais sofisticadas formas de parasitar o trabalho de bilhões de pessoas. Foi o aprofundamento do capitalismo que possibilitou isso, não sua negação.

Goodman diz que “recuperar o poder do Homem de Davos não requer insurreição ou revolução”. Apenas “o uso ponderado de uma ferramenta que sempre esteve presente: a democracia”.

É o contrário. Contra a exploração mais radical, só a mais radical das resistências.

Leia também: Davonianos: os bichos rasteiros que voam pelo espaço

28 de junho de 2022

Davonianos: os bichos rasteiros que voam pelo espaço

Em julho de 2021, Jeff Bezos subiu a bordo de um foguete em uma pequena cidade no oeste do Texas e voou para o espaço.

Após uma viagem de onze minutos, o dono da Amazon pousou e agradeceu a seus funcionários e clientes, “porque foram eles que pagaram” pela empreitada. Emocionado, afirmou ainda que “em duzentos anos, o sistema solar poderá suportar facilmente um trilhão de humanos”.

Bezos gastou US$ 5,5 bilhões em sua empresa espacial. Esse montante poderia salvar 14 milhões de pessoas da fome, não nos próximos dois séculos, mas agora. Em plena pandemia, também poderia fornecer dois bilhões de doses de vacina contra o COVID-19. E apenas uma pequena fração disso poderia financiar as licenças médicas que a Amazon cobra de seus funcionários como faltas ao trabalho que os adoece.

O relato acima está no livro “Davos Man”, de Peter S. Gooldman. É mais um exemplo do tipo de comportamento dessa criatura que o autor batizou de “Homem de Davos”. Aventuras espaciais são uma obsessão da espécie. É o caso de Elon Musk, com sua SpaceX e planos para colonizar Marte.

O fato é que as bilionárias fantasias intergalácticas desses senhores são financiadas por coisas muito terrenas. Por exemplo, pela exploração de seus trabalhadores e pela sonegação sistemática de impostos. No caso de Musk, envolve também o apoio ao golpe de estado na Bolívia, ocorrido em 2019, de olho nas maiores reservas de lítio do mundo.

A despeito de suas ambições aeroespaciais, esses “davonianos” são, na verdade, os bichos mais rasteiros e repugnantes que o capitalismo poderia parir.

Concluiremos na próxima pílula.

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Ora, (direis) explorar as estrelas!